Vítimas das cheias no Paquistão podem ter fome com a chegada do Inverno
Sexta, 15 Outubro 2010 16:13

Hoje, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) apelou à comunidade global para agir rapidamente de forma a assegurar que as vítimas das cheias no Paquistão não venham a ter fome este Inverno.
Numa reunião de doadores Cruz Vermelha/Crescente Vermelho para o Paquistão, realizada em Doha pelo Crescente Vermelho do Qatar, 24 representantes das Sociedades Nacionais da CV/CV de todo o mundo reuniram-se para discutir e desenvolver um plano de apoio ao Crescente Vermelho do Paquistão para suportar as necessidades de recuperação imediatas e a longo prazo de mais de 2 milhões de pessoas nos próximos dois anos.
“Ao contrário de um terramoto, estamos aqui a ser confrontados com uma catástrofe de evolução lenta, cujos efeitos só poderão provavelmente ser conhecidos daqui a muitos meses, diz Bekele Geleta, Secretário Geral da Federação. A fase de urgência está longe de estar ultrapassada e devemos estar prontos para assegurar a ajuda humanitária nas zonas afectadas pelas cheias por uma boa parte do próximo ano.”
As cheias criaram diversos desafios humanitários em várias regiões do país. Nas zonas montanhosas do Norte, os sobreviventes arriscam-se a ter de enfrentar o rigor do Inverno em abrigos precários. Nas planícies do Punjab, coração agrícola do Paquistão, onde as plantações ficaram quase todas destruídas pelas águas, os agricultores pobres sofrem pesadas consequências. E na província de Sindh, cerca de 1.4 milhões de pessoas deslocadas ainda estão alojadas em campos provisórios, sem poderem regressar aos seus lares na medida em que as terras que são o seu sustento ainda permanecem debaixo de água.
No total, mais de 2.2 milhões de hectares foram danificados ou destruídos e a maior parte dos agricultores está impossibilitada de semear este Outono. Assim, não se irão efectuar colheitas durante cerca de um ano a contar desde o início das cheias. No Paquistão, as taxas de malnutrição aumentaram em 14% e estima-se que 30 a 50% das crianças recebidas nos centros de saúde apresentam sintomas de malnutrição aguda.
“Nós já distribuímos víveres a cerca de um milhão de vítimas e revimos o nosso plano de assistência com vista a sustentar centenas de milhares de famílias nos próximos 6 meses, assegurando-lhes alimentos, abrigos, cuidados médicos e serviços de aprovisionamento de água e saneamento, relata Nilofer Bakhtiar, Presidente do Crescente Vermelho do Paquistão. Para ajudar as comunidades sinistradas a recuperar desta catástrofe, é necessário um compromisso de longo termo. Os nossos voluntários estão entre os primeiros que actuaram nas zonas inundadas e serão os últimos a partir.”
À data, apenas 64% do apelo de urgência da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de 56,3 milhões de Euros está coberto. Face à escala do desastre no Paquistão com consequências ainda por conhecer, o apelo da Federação será muito provavelmente aumentado com o objectivo de responder às necessidades emergentes.


Os donativos para este apelo poderão ser efectuados através do Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa. Para saber como efectuar um donativo para este fundo, clique aqui.

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