Haiti 6 meses depois: papel crucial do saneamento na recuperação
Segunda, 12 Julho 2010 23:00

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), num relatório publicado, apela à comunidade internacional para reconhecer o saneamento como uma das prioridades na reconstrução do Haiti.
O relatório De vidas sustentadas a soluções sustentáveis: o desafio do saneamento no Haiti chama ao saneamento “gémeo negligenciado” no abastecimento de água após catástrofes.
“Tem de ser dada a mesma ênfase tanto agora como no futuro para melhorar as instalações de saneamento”, refere o relatório, notando que são urgentes recursos e soluções inovadoras para apoiar as autoridades Haitianas a prestarem melhores serviços sanitários aos 2 milhões de pessoas afectadas pelo sismo.
Matthias Schmale, o sub-Secretário-Geral da FICV para programas de serviços disse: “Olhando para o futuro do Haiti, precisamos que a comunidade internacional apoie o saneamento e as autoridades Haitianas. A situação do saneamento no Haiti já era terrível antes do sismo e esta catástrofe foi tão má quanto é possível. Há uma grande oportunidade para fazer a diferença, mas temos de agir agora para introduzir o saneamento nos planos do futuro do Haiti. “Regressar apenas aos níveis de saneamento anteriores ao sismo seria inaceitável.”
O relatório sublinha os desafios e as oportunidades a longo prazo para melhorar as infra-estruturas de saneamento no Haiti anteriores à catástrofe, o único país no mundo onde a melhoria do acesso a saneamento tem decrescido nos últimos anos: antes do terramoto, apenas 17 por cento da população tinha acesso a uma casa de banho.*
A Cruz Vermelha, liderada pela Cruz Vermelha Haitiana, tem, até à data, construído quase 2.700 latrinas em campos por toda a cidade de Port-au-Prince, e produz e distribui cada dia 2.4 milhões de litros de água limpa – o suficiente para 280.000 pessoas. Contudo, apesar de consideráveis feitos, pelo menos metade da população directamente afectada ainda não viu qualquer melhoria na sua situação em termos de saneamento e água.
“Seis meses depois do sismo, a Cruz Vermelha e outras agências humanitárias continuam a prestar uma grande proporção dos serviços de água e saneamento em nome das autoridades Haitianas,” disse Gianluca Salone, Coordenador da Água e do Saneamento da FICV no Haiti.
“Contudo, esta é uma questão de reconstrução urbana muito mais ampla que fica fora da capacidade e competência das agências humanitárias. Estamos todos no limite da nossa capacidade e estamos simplesmente a conter uma situação crítica, em vez de a resolver. A partir de agora o saneamento tem de ser integrado em planos mais alargados da reconstrução do Haiti e têm de ser encontradas soluções a longo prazo.”  
A FICV acredita que a situação é insustentável. Pede o desenvolvimento de sistemas tecnológicos inovadores, sustentáveis e adequados que, dependendo da disponibilidade de terra, irão dar a um grande número de Haitianos saneamento seguro e de confiança para os próximos anos.
À medida que o esforço de reconstrução continua, o enfoque está a mudar para garantir que aqueles que voltam para as suas casas ou que se mudam para abrigos provisórios terão acesso a saneamento adequado. A integração do saneamento nos planos de reconstrução é essencial para um futuro saudável.
O relatório também salienta algumas potenciais soluções a longo prazo que poderão ajudar a estimular a economia do Haiti, bem como ir ao encontro dos desafios na gestão de resíduos e saneamento. Por exemplo, a pesquisa sobre a viabilidade da compostagem de resíduos em larga escala e a produção de biogás poderia trazer  duplos benefícios, tais como à produção de energia, ou impulsionar a actividade agrícola. Para encontrar tais soluções é necessária a colaboração da comunidade internacional para ajudar a desenvolver a capacidade das autoridades Haitianas.
Liderada pela Cruz Vermelha Haitiana, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho prestaram até à data tratamento médico a 95.000 pessoas, vacinaram mais de 150.000 pessoas contra sarampo, difteria e rubéola, e deram a 120.000 famílias – quase 600.000 pessoas – material de abrigo de emergência.

Para ver o relatório De vidas sustentadas a soluções sustentáveis: o desafio do saneamento no Haiti, clique aqui.

* UNICEF