Cruz Vermelha diz que tem de ser disponibilizado mais terreno para os haitianos que perderam as suas casas no terramoto
Sexta, 19 Fevereiro 2010 15:06

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho diz que tem de ser urgentemente disponibilizada terra o mais perto possível da capital Haitiana, Port-au-Prince, para que as pessoas que queiram deixar os acampamentos improvisados que surgiram após o terramoto do mês passado o possam fazer.

Há mais de 300 acampamentos por todo Port-au-Prince e muitos mais em Leogane, que foi quase completamente destruída no desastre de 12 Janeiro, e no porto a sul de Jacmel, que não está tão seriamente danificada.
Em Port-au-Prince, as Nações Unidas identificaram 19 acampamentos que precisam urgentemente de ser “descongestionados” antes da época das chuvas, que normalmente começa no início de Abril. Até agora, já se começou a trabalhar na relocalização para um novo local: La Pista, um aeroporto em desuso.
A Cruz Vermelha Haitiana tem pelo menos 5.000 voluntários disponíveis que podem ajudar a tornar os novo locais seguros, ajudando com trabalhos de água e saneamento. As equipas internacionais irão prestar serviços básicos de água e saneamento e saúde em La Piste.
Uma cada vez maior proporção de pessoas nos acampamentos improvisados vive agora sob materiais de abrigo, principalmente lonas, fixadas ao chão ou às ruínas das suas casas utilizando estacas e materiais incluídos nos kits de abrigo.
A escassez de terreno disponível em Port-au-Prince e arredores é a principal razão pela qual não tem sido possível colocar mais pessoas em tendas, o que muitos Haitianos, compreensivelmente, exigem. Se as pessoas em acampamentos improvisados fossem mudadas in situ para tendas com suficientemente espaçadas entre si para serem seguras, uma parte significativa das pessoas teriam de deixar o local.

Geralmente as tendas são vistas como algo de insatisfatório na comunidade humanitária por um diverso número de razões:

  • Se não tiverem bastante espaço, estão muito propensas a risco de incêndio.
  • São caras: em termos de orçamento, o número de pessoas que podem ser ajudas com tendas é muito menor do que com lonas.
  • Não podem ser utilizadas para mais nenhum propósito quando ficam disponíveis outras alternativas.
  • A qualidade da sua manufactura é irregular e muitas vezes não são à prova de água.
  • Têm um curto espaço de vida.

As lonas, ao contrário, são práticas e versáteis. São fáceis de comprar, transportar e distribuir, podem ser utilizadas como casas, cozinhas, a para abrigar pequenos negócios. E as pessoas podem estar em pé quando estão sob elas.
Contudo, a estratégia global da Cruz Vermelha para abrigos de emergência inclui 10.000 tendas fora da capital, diz o responsável das operações para o Haiti, Nelson Castaño. “Iremos dar tendas em Jacmel e Leogane e perto de Port-au-Prince quando tivermos a certeza que as localizações são seguras e onde existir disponibilidade de espaço adequado.”
“O enfoque da nossa operação têm de ser as lonas”, acrescenta. “Mas fora de Port-au-Prince, especialmente, teremos paralelamente tendas.” Até à data, a Cruz Vermelha distribuiu quase 1.000 tendas em todo o país e espera-se em breve a chegada de mais algumas centenas em Leogane, onde o espaço não é uma questão tão importante como na capital.
Contudo, nem as tendas nem as lonas irão dar do que uma protecção mínima quando a época das chuvas estiver no seu pico em Maio, quando em Port-au-Prince existir uma precipitação média de 230 mm e às vezes 50 mm de chuva em duas horas. A época dos furacões, que começa mais no final do ano, é uma grande preocupação.
A mais longo prazo, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) - que no início deste mês substituiu a Organização Internacional para as Migrações como agência coordenadora para abrigos sob o sistema das Nações Unidas – está a mexer-se o mais rapidamente possível para dar “abrigos transitórios”.
Está quase a ser completado o protótipo de casa transitória, construído com materiais e recursos humanos locais, e está a ser desenvolvido um processo de aquisição em grande escala. Espera-se que os trabalho de construção das primeiras casas comece antes da época das chuvas.
A Cruz Vermelha planeia construir eventualmente pelo menos 20.000 casas transitórias nas regiões afectadas pelo sismo e espera completar um número significativo delas antes da época dos furacões começar no final do ano.
O acampamento-base regional da FICV já começou a delinear planos de contingência para as chuvas, tendo meados de Março como prazo final, procurando formas para elevar os geradores dão energia aos equipamento que fazem a purificação de água e mover as tendas do pessoal da Cruz Vermelha para localizações com boa drenagem fora do acampamento.

Para obter informações sobre as formas de donativo para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa "Apelo vítimas sismo Haiti" e assuntos relacionados, clique aqui.