Enquanto a nação chora os seus mortos, o Haiti enfrenta uma nova emergência
Sexta, 12 Fevereiro 2010 14:50

O Haiti assinala hoje um dia nacional de luto para lembrar todos aqueles que morreram no terramoto catastrófico exactamente há um mês atrás e que colheu mais de 200.000 vidas e deixou grande parte da capital, Port-au-Prince, em ruínas. O número oficial de feridos no terramoto de 12 de Janeiro é agora estimado em mais de 300.000.
Mas enquanto a operação internacional de assistência avança, o país enfrenta uma nova emergência humanitária devido à estação chuvosa, que normalmente começa por volta do final de Março e é seguida pela temporada de furacões nas Caraíbas.
“Podemos ter até 50 milímetros de chuva em duas horas”, disse Michaële Gedeon, Presidente da Cruz Vermelha Haitiana, “e geralmente há também ventos muito fortes”.
Pelo menos 700.000 Haitianos sobrevivem sem abrigo adequado – muitos deles juntam-se num terreno qualquer que encontrem na já superlotada capital e na cidade costeira de Leogane, a qual ficou quase completamente destruída no terramoto.
Ate à data, a resposta do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho inclui o fornecimento de materiais de abrigo de emergência para aproximadamente 19.000 famílias (95.000 pessoas), constituídos por lonas, ferramentas e tendas.
Mas locais improvisados equipados com apoio de abrigos como este irão dar escassa protecção na estação chuvosa, e muito menos em caso de furacão.
“O problema fundamental é o espaço”, diz Nelson Castaño, chefe da operação de socorro em Port-au-Prince da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV). “A cidade já estava seriamente superlotada. Agora o que temos são enormes áreas de Port-au-prince que se tornaram inabitáveis, enquanto um grande número de residentes mudaram-se para pequenos espaços livres. Se tivéssemos mais terra, certamente conseguiríamos fazer mais. Mas é improvável que seja suficiente para afastar completamente o perigo representado pela estação chuvosa”.
Gedeon acentua a importância da questão da terra. “Obter terra é crucial”, disse ela, “se mais terra se tornar disponível, há pelo menos 5.000 voluntários da Cruz Vermelha – metade da nossa força nacional – que estão preparados para tentar torná-la seguro, fazendo coisas como escavar canais de esgoto e limpá-los.”
O Secretário-Geral do FICV, Bekele Geleta, que visitou o Haiti juntamente com o Presidente do FICV, Tadateru Konoé, no rescaldo do terramoto, diz: “Em termos do impacto proporcional num único país, o terramoto Haitiano pode muito bem ser o pior de sempre. A Cruz Vermelha está empenhada em apoiar plenamente o povo do Haiti no longo caminho de recuperação que tem pela frente. Seremos parceiros das comunidades, para que possamos reconstruir casas mais seguras e meios de vida mais sustentáveis. Juntos transformaremos esta tragédia numa oportunidade para o Haiti se levantar novamente.”
A FICV publica hoje um relatório especial sobre o terramoto Haitiano, Haiti: da tragédia à oportunidade. A resposta conjugada da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – envolvendo a Cruz Vermelha Haitiana, as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de todo o mundo, o Comité Internacional da Cruz Vermelha e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – é a maior num único país, dos 150 anos de História do Movimento.
As agências de ajuda humanitária em todo o mundo enviaram equipas de resposta de emergência no último mês e a logística procurou rotas rápidas para as Caraíbas. Os voluntários da Cruz Vermelha Haitiana foram os primeiros a responder à catástrofe no terreno e permanecem determinantes para o contínuo esforço humanitário.

Principais destaques da operação da Cruz Vermelha até ao momento:

  • 13.000 pacientes foram tratados e a capacidade médica diária actual é de 1.300 pessoas por dia.
  • 140.000 pessoas deverão beneficiar de uma campanha de vacinação de emergência contra o sarampo, difteria e tétano, que começou no dia 8 de Fevereiro, por iniciativa do Ministério da Saúde Haitiano, UNICEF e a Organização Pan-americana da Saúde, com a  FICV e a Cruz Vermelha Haitiana como parceiros de implementação.
  • Actualmente a capacidade diária de produção de água é de 1.2 milhões de litros por dia. Até ao momento 15 milhões de litros de água potável foram distribuídos em pelo menos 100 locais diferentes.
  • Actividades de saneamento (principalmente latrinas) foram realizadas em nove diferentes campos improvisados.
  • Chegou-se a mais de 37.000 famílias com bens não-alimentares, principalmente artigos de cozinha, cobertores e artigos de higiene.
  • Foram enviadas 21 Unidades de Resposta de Emergência (ERUs), que abrangem serviços hospitalares e de saúde, socorro e abrigo, água e saneamento, logística e comunicações.
  • Cerca de 600 funcionários internacionais estão a ser ou já foram mobilizados.  A Cruz Vermelha Haitiana tem agora 10.000 voluntários por todo o país, incluindo 3.000 na capital.
  • Mais de 26.000 nomes foram registados site especial de ligações familiares do Comité Internacional da Cruz Vermelha. Cerca de 4.000 pessoas utilizaram-no para dizer que estão vivos e seguros.

Para obter informações sobre as formas de donativo para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa "Apelo vítimas sismo Haiti" e assuntos relacionados, clique aqui.