Haiti: actualização sobre as operações humanitárias
Quarta, 03 Fevereiro 2010 14:29

Depender do emblema: socorro é acelerado no Haiti
As distribuições de socorro estão a ser aceleradas no Haiti. Em breve os esforços de socorro da Cruz Vermelha irão chegar ao primeiro objectivo de distribuir bens não-alimentares a 5.000 famílias por semana. As distribuições, ao contrário do que os Órgãos de Comunicação Social têm reportado, são geralmente calmas e seguras.
“Estamos a fazer distribuições objectivas e frequentes”, diz Charles Blake da equipa da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Haiti. “Não usamos qualquer segurança armada, arame farpado ou gás lacrimogéneo, dependemos do nosso emblema e da boa vontade que o público tem para com a Cruz Vermelha Haitiana.”
Dar prioridade às mulheres
“Os voluntários da Cruz Vermelha Haitiana visitam os campos dois dias antes, trabalham com os comités e distribuem senhas. A comunidade sente que faz parte da distribuição, assim como a Cruz Vermelha Haitiana é parte da comunidade.” Cada senha permite ao detentor receber um cobertor, rede mosquiteira, duas caixas com artigos sanitários como sabão, pasta de dentes e champô, e uma caixa com artigos de cozinha, incluindo pratos, panelas, talher e facas.
Entre as centenas de mulheres que recebem um pacote está Ismene Caiis, uma feirante, que esteve em fila três horas para chegar à frente da fila. A distribuição é feita num local perto do campo, onde o acesso pode ser vedado se a multidão for desobediente. “Às vezes acontece, especialmente no final do dia quando as pessoas sentem que os bens estão a acabar, mas se tiverem uma senha irão ter ajuda,” diz Charles. Ismene, de 25 anos, partilha a tenda com a sua filha de nove anos e o filho de oito anos. A tenda, com lençóis a tapar as brechas, tem o tamanho de uma cama de casal e tem um pedaço de cartão no chão. Nada mais.
Ter perdido tudo
“Isto é mesmo útil para nós”, diz ela, entusiasmada com os pratos de metal e panelas. “É claro que também precisamos de comida, mas isto é bem vindo porque perdemos tudo o que possuíamos.”
A Cruz Vermelha Espanhola instalou pontos de água no campo e a Cruz Vermelha Japonesa dirige uma clínica ali perto. O campo Renault não é ideal, longe disso, mas pelo menos algumas necessidades básicas têm resposta.
A maior preocupação é o abrigo, uma vez que ao período das chuvas de Maio seguir-se-á a época de furacões. “Temos estado a distribuir folhas de plástico e ferramentas a milhares de famílias, mas a dificuldade é a densidade dos deslocados. Pelo menos as lonas dão-lhes sombra durante o dia e irão ajudar quando a chuva vier”, diz Corrine Treherne da equipa de abrigos da Federação. “A solução a longo-prazo é regressarem às suas casas ou ajudá-los a integrarem-se em famílias de acolhimento.”

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