Haiti: avaliar e responder às necessidades fora de Port-au-Prince
Sexta, 29 Janeiro 2010 14:06

As equipas da Cruz Vermelha viajaram duas horas a sul de Port-au-Prince para Leogane, o epicentro do poderoso sismo que atingiu o Haiti há mais de duas semanas. É impossível o estádio de futebol Gustave Christophe na baixa estar pior. Fala-se em mais de 10.000 pessoas a dormirem ali, em péssimos abrigos frágeis, empacotados como sardinhas.
A cidade de 180.000 pessoas – menos 10.000 ou mais que morreram no desastre – parece-se com Mogadishu, Monrovia ou Beirute por altura dos vários conflitos. Está equiparado. Peritos estimam que 80% da cidade esteja danificada, mas mesmo as mesmo as estruturas que estão em pé têm rachas ou estão perto de edifícios que terão de ser demolidos.
A Cruz Vermelha Haitiana, acompanhada por especialistas da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), vieram a Leogane para fazer uma avaliação multi-sectorial concebida para juntar os pontos entre todas as anteriores avaliações especializadas.
Analisar simultaneamente todos os ângulos
Jacqueline Frize, coordenadora de recuperação da equipa da Cruz Vermelha explica que “temos avaliado e respondido às necessidades desde que lá vamos, mas esta, liderada pela unidade de Coordenação da Avaliação de Desastre das Nações Unidades está a analisar simultaneamente todos os ângulos. Os nossos voluntários estão a perguntar às famílias onde dormem, onde se lavam, se têm sabão para lavar, onde obtêm comida, com o que é que estão a cozinhar, se têm trabalho – estão a tentar construir uma visão completa do desenvolvimento das necessidades.”
Utilizando a experiência adquirida através das operações do tsunami, a Cruz Vermelha estabeleceu a recuperação na fase da emergência. A própria força dos números, e o alto nível de preparação dos voluntários da Cruz Vermelha Haitiana, significa que este complexo objectivo pode ser alcançado.
Uma família que falava com a equipa de avaliação que incluía uma avó, mãe, e filho, estão entre as dezenas de milhar de deslocados, a viver no campo de Saint-Croix onde as condições são apenas marginalmente menos congestionadas do que no estádio. Andree Nirva (37) fala em nome da sua mãe Andre-Marie e do seu filho Dameus (6). Ela era uma técnica de saúde até 12 Janeiro, mas agora dorme no chão, sob plástico, utilizando a mais próxima lixeira como casa-de-banho. “Não é bom, toda a gente nos pode ver,” diz.
”Temos fome”
Para além de ter perdido a sua casa, o emprego e as suas roupas, ela também perdeu todo o dinheiro e não tem nada para comprar alimentos: “Temos fome e os nossos vizinhos não partilham nada connosco.”
Algum do muito necessário socorro chegou ao estádio. Um projecto da Cruz Vermelha está a fornecer 30.000 litros por dia de água limpa a pessoas que vivem no campo e à volta, e está a instalar 20 latrina s(mais se seguirão) e a dar informação sobre higiene.
”A avaliação irá ajudar-nos a aumentar significativamente a ajuda que prestamos em Leogane”, diz Jackie Frize. “Sabemos que as necessidades são enormes e estamos a forçar o mais que podemos para assegurar que vamos ao encontro das necessidades a curto, médio e longo-prazo de pessoas que perderam tudo.”

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