Haiti: enfoque na recuperação
Quarta, 27 Janeiro 2010 13:59

Duas semanas após um devastador sismo que atingiu a capital do Haiti, Port-au-Prince, a Cruz Vermelha já forneceu 2.5 milhões de litros de água limpa e segura, e distribuiu pelo menos 550 toneladas de bens de socorro essenciais. Actualmente, a Cruz Vermelha está a dar água a mais de 100.000 pessoas por dia.
Mas o enfoque agora tem de mudar. É necessário pensar e planear rapidamente a recuperação inicial e a reconstrução para que os haitianos possam restabelecer as suas vidas e meios de subsistência e avançar para um futuro mais seguro e resiliente.
A resposta ao sismo de magnitude 7 de 12 Janeiro tem sido uma das maiores nos 150 anos de história do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, com equipas de especialistas, equipamento, alimentos e abrigos de todas as partes do mundo a serem enviados para as comunidades afectadas.
Os voluntários da Cruz Vermelha Haitiana – muitos dos quais perderam no desastre os seus entes queridos e casas – estão entre os que primeiro responderam e têm desde então trabalhado de forma incansável. Eles estão a ser apoiados por mais de 300 especialistas da Cruz Vermelha de resposta a desastres e recuperação, incluindo muitos da América Latina.
Mauricio Bustamante, que está a gerir a resposta humanitária da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho a partir da sua Unidade de Resposta a Desastre Pan-Americana (PADRU) no Panamá, disse que o desafio para as próximas semanas é estabelecer e manter as linhas de fornecimento para a operação e assegurar um transição suave entre o socorro e os esforços de uma recuperação inicial. “Estas duas semanas têm sido um desafio logístico para as equipas da Cruz Vermelha, mas alcançámos muito,” diz.
“A PADRU foi capaz de enviar para a zona 7 aviões charter cheios de bens de socorro e equipamento na primeira semana da operação, e tem havido uma grande cooperação dentro do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e com outras agências. Todos estão focados numa coisa só: ajudar as pessoas do Haiti.”
“Agora temos de nos concentrar nos principais desafios futuros – a recuperação inicial e a reconstrução – para que aqueles que foram afectados possam recuperar, e para que o processo de reconstrução possa ajudar a proteger as comunidades contra futuros desastres naturais como os furacões.” acrescenta ele.
Nas duas semanas após o desastres, 43 voos charter da Cruz Vermelha foram enviados para a área; mais de 500 pessoas estão a ser tratadas diariamente nas infra-estruturas de saúde, incluindo um hospital de campanha com 70 camas; mais de 26.000 pessoas receberam bens de socorro como lonas, tendas, itens de higiene, kits de cozinha e jerry cans. É expectável que estes números dupliquem até ao final da semana. Já foram distribuídos 30.000 kits saúde de emergência e 30.000 kits de abrigo. Voluntários treinados estão a prestar apoio psico-social.
Para além disso, 21 Unidades de Resposta a Emergência – a maior mobilização da história da Cruz Vermelha para um único país – estão a trabalhar no terreno, e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho já está à procura de materiais de construção que podem ser utilizados para ajudar as pessoas a reconstruírem as suas casas, em plena consulta com as comunidades afectadas.

Para obter informações sobre as formas de donativo para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa - "Apelo vítimas sismo Haiti" e assuntos relacionados, clique aqui.