Estudo revela o impacto humanitário da crise económica na Europa
Quarta, 28 Outubro 2009 21:43

As Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Europa e na Ásia Central reportam um aumento no número de pessoas que necessitam de assistência como consequência da crise económica global – em especial de grupos que habitualmente não recorriam à mesma.

As conclusões sobre o estudo sobre o impacto humanitário da crise económica, baseadas na recolha de dados recolhidos pela Cruz Vermelha e Crescente Vermelho em 40 países, demonstram que, actualmente, a maioria das Sociedades Nacionais têm de enfrentar simultaneamente o desafio do aumento das necessidades e da diminuição dos recursos.

As classes médias também estão incluídas nesta luta e várias sociedades da Cruz Vermelha na União Europeia já registaram um aumento do número de pedidos de assistência em dinheiro. Actualmente mais de dois terços das Cruzes Vermelhas da EU incluem alimentos nos seus programas domésticos, algo pouco comum em tempos recentes.

Este estudo não pretende apresentar dados estatísticos rigorosos sobre o impacto humanitário da crise económica na vida das pessoas, mas é baseado no que voluntários e pessoal da Cruz Vermelha observam nas suas comunidades, conseguindo detectar muito mais rapidamente mudanças na vulnerabilidade do que estudos formais.

Pelo menos, 75% das Sociedades Nacionais que participaram neste estudo falam de um impacto social significativo da crise nas pessoas mais vulneráveis, enquanto cerca de 95% relaciona o aumento da vulnerabilidade ao desemprego, particularmente entre os jovens.

O relatório também adverte que, se nada for feito, a coesão social de toda a região poderá ser ameaçada por tensões crescentes associadas ao aumento da vulnerabilidade e competição entre os grupos menos privilegiados por postos de trabalho e serviços. Além disso, poder-se-ão perder as importantes conquistas infra-estruturais e de desenvolvimento que foram alcanças nos últimos anos.

Apesar do impacto da crise económica ser variável, parece existir uma tendência crescente de insegurança, aumento de problemas de saúde mental, álcool, abuso de substâncias, isolamento social e stress generalizado.

O relatório sugere que, resolver rapidamente o aumento da quantidade de casos sociais, os programas em curso podiam ser adaptados, ampliando os critérios de elegibilidade para ajudar as novas categorias de pessoas vulneráveis e dotar as organizações existentes de recursos adicionais, de modo a que estas actuem em conjunto com as autoridades no que respeita à resposta às necessidades não cobertas pelos programas existentes.

Embora as economias em toda a Europa já estejam a mostrar sinais de recuperação, ainda falta muito tempo para que o desemprego comece a diminuir e se reduzam as consequências da crise. É expectável que a situação durante o Inverno de 2009/2010 venha a ser particularmente difícil.


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