8 de Maio, Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

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Declaração do Presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, e do Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha.
 
"O dia 8 de Maio, Dia Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, é uma oportunidade para celebrar a bravura e as realizações dos 17 milhões do Voluntários e quase meio milhão de colaboradores, que asseguram que mantemos vivo o nosso compromisso com a humanidade todos os dias, estando presentes antes, durante e após uma catástrofe, epidemia ou conflito. Nós estamos presentes local e internacionalmente, somos independentes e imparciais, e estamos em todos os lugares para servir todos.

Enquanto servindo como Presidentes do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), tivemos o privilégio de observar em primeira mão a força e a diversidade do nosso movimento, e de aprender o que a expressão "everywhere for everyone” (“estar em todo o lado para servir todos") significa para o CICV, para a FICV e para as 190 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, garantindo que o imperativo humanitário continua em primeiro lugar.

Em Tuvalu, estar em todos os lugares para servir todos significa que as 11 pessoas que vivem na pequena ilha de Papaeliese – uma das mais pequenas e remotas comunidades no mundo – são treinados e apoiados em situação de catástrofe pela Cruz Vermelha de Tuvalu e podem receber mensagens de aviso de ciclone e tsunami nos seus telemóveis.

Estar em todos os lugares para servir todos significa apoiar marginalizados e grupos estigmatizados. Um programa premiado na área da saúde e primeiros socorros desenhado pela Cruz Vermelha Irlandesa ajuda as pessoas em meio prisional a ganhar valiosas competências durante as suas etapas de reabilitação - beneficiando mais de 4.000 reclusos e 12.000 funcionários e membros das respectivas famílias todos os dias. 

Significa ficar para apoiar as pessoas necessitadas, mesmo quando muitos outros se encontram a fugir. Quando o terrível surto de Ébola da África Ocidental destruiu vidas e devastou comunidades na Serra Leoa, Guiné e Libéria, os Voluntários da Cruz Vermelha foram os primeiros a responder apesar dos terríveis riscos. Perguntaram a um Voluntário porque ficaram e responderam, "se nós não o fizermos como Cruz Vermelha, quem o fará?".

Isso significa que as pessoas em fuga de suas casas para escapar da guerra, perseguição ou catástrofe, podem manter contacto com familiares ou buscar parentes desaparecidos através da rede de restabelecimento dos laços familiares do Movimento.
 
Na Síria, estar em todos os lugares para servir todos significa arriscar um ferimento ou mesmo a morte, prestando assistência humanitária urgente para pessoas em necessidade desesperada. Desde que o conflito começou há mais de cinco anos, 53 árabes do Crescente Vermelho Sírio e 8 Voluntários e funcionários do Crescente Vermelho da Palestina foram mortos enquanto forneciam serviços básicos, como comida, água, cobertores e cuidados médicos.

Num mundo complexo e cada vez mais vulnerável - um mundo que é perturbado por crises de saúde, conflitos prolongados, migração e deslocamento, um número crescente de desastres naturais ligados às alterações climáticas, e uma ameaça contínua de riscos nucleares e tecnológicos - estar em todos os lugares para servir todos é um desafio crescente. Todos os anos, já alcançamos milhões de pessoas através de actividades de resposta a catástrofes e desenvolvimento de programas de construção de resiliência, bem como em situações de conflito armado. Mas com o aumento das vulnerabilidades, também aumentam as necessidades humanitárias.
 
Para continuar a estar em todos os lugares para servir todos, temos de usar a nossa rede global para reforçar a capacidade local. Hoje, enquanto celebramos o nosso Movimento e os seus corajosos e dedicados funcionários e Voluntários, iremos também reflectir sobre como podemos trabalhar com indivíduos, comunidades e governos para melhor apoiar as pessoas que precisam de nós, reduzir os seus riscos e construir a resiliência, e melhorar os nossos serviços e responsabilização.

Esforçamo-nos para a melhoria do acesso a cuidados de saúde e de actuar para a prevenção de doenças não-transmissíveis; a integração da redução de riscos de catástrofes nas estratégias de alterações climáticas; o reforço dos quadros jurídicos que possibilitem maior respeito pelo Direito Internacional Humanitário; acesso humanitário seguro e sem obstáculos às populações afectadas por conflitos; e o investimento em liderança juvenil.
 
E ainda este mês, na Cimeira Mundial Humanitária em Istambul, vamos reafirmar o nosso compromisso com a humanidade, fazendo ouvir a nossa voz global em busca de um mundo mais seguro, tranquilo e resiliente, sublinhando o papel único do nosso Movimento no apoio às pessoas em necessidade."

Tadateru Konoé, Presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Peter Maurer, Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha