Cruz Vermelha alerta para o agravamento da situação, enquanto continua a aumentar o número de refugiados na Grécia
Sexta, 04 Março 2016 14:07
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Enquanto a situação na fronteira norte da Grécia entra numa espiral de luta pela sobrevivência para migrantes desesperados para encontrar segurança, milhares de pessoas estão presas no país sem comida, água corrente e suprimentos básicos.

Cerca de 8.000 pessoas estão presas em Idomeni, na fronteira norte da Grécia com a antiga República Jugoslava da Macedónia. São quase todos de origem síria ou iraquiana, e 40 por cento são crianças. Dois campos de acolhimento foram criados para lidar com o número crescente de pessoas, mas estão neste momento sem água corrente, alimentos suficientes, comida para bebé, sanitários ou itens de higiene. Os momentos de violência têm também aumentado junto da fronteira, à medida que cresce o desespero entre os migrantes.

"A Grécia não pode lidar com esta situação sozinha - os alimentos de reserva acabaram na fronteira norte e a situação é de desespero", disse Simon Missiri, diretor da Região Europeia para a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

Pelo menos 30.000 pessoas ficaram presas entre Lesvos, Chios, Samos, Atenas e Idomeni após a Áustria e países ao longo da rota dos Balcãs Ocidentais reduzirem significativamente na semana passada, o número de pessoas autorizadas a atravessar as suas fronteiras. Afegãos, que eram antes capazes de se mover em busca de asilo, não são agora autorizados a viajar além da Grécia.

Missiri disse: "O resto da Europa não deve fechar as cortinas e fingir que isto não está a acontecer. Pelo menos 40 por cento daqueles que estão presos na Grécia são crianças. Para as famílias que já experimentaram mais trauma e sofrimento do que a maioria de nós jamais poderá imaginar, ser colocado nesta posição é terrível. "

As autoridades gregas estão a trabalhar arduamente para responder às necessidades básicas, mas com nenhum sinal de melhoramento da situação e com os números em contínuo crescimento, a FICV está seriamente preocupada com o bem-estar das pessoas impossibilitadas de sair do país. A Cruz Vermelha Helénica está a fornecer suprimentos de emergência e de cuidados médicos, mas é urgente haver mais apoio sendo que as famílias que viajam com parentes idosos e incapacitados, bebés e crianças pequenas, estão há 10 dias sem abrigo adequado.

"As nossas equipas estão nas margens do Lesvos, nas ruas de Atenas e nos campos de acolhimento na fronteira norte e todos os dias apoiam milhares de pessoas, mas as políticas erráticas dos países ao longo da rota tornam quase impossível para as pessoas conseguirem alcançar o que mais precisam - segurança, e ser tratado com dignidade " – afirmou Missiri.

A FICV lançou um apelo de emergência de 13,1 milhões de francos suíços para apoiar 200.000 pessoas em todo o país e prepara-se para mobilizar pessoal extra e reservas para apoiar a Cruz Vermelha Helénica, que responde por todo o país e na fronteira norte.