Cruz Vermelha alerta para ação urgente para conter a doença do vírus ZIKA
Quarta, 03 Fevereiro 2016 12:18

zika virus

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) adverte a necessidade de medidas urgentes para conter a doença do vírus Zika que está presente em 21 países e territórios no continente Americano.

Uma abordagem de parcerias – onde Governos, doadores e organizações da sociedade civil trabalham em conjunto para melhorar as condições sanitárias ao mesmo tempo com uma estratégia de controlo vectorial integrado - será necessária se o Zika e outras doenças virais que se propagam pelo mosquito Aedes aegypti mosquito são para ser contidas.

“A única forma de parar a doença do vírus Zika é controlar os vectores do mosquito ou interromper completamente o contacto humano-vector, e fazê-lo a par das medidas para reduzir a pobreza,” disse Walter Cotte, Diretor da FICV na região da América.

“As nossas décadas de experiência em prevenir e responder aos surtos de dengue, malária, doença das Chagas e chicungunha ensinaram-nos que o ambiente sanitário, o reforço dos sistemas de saúde comunitários e a comunicação pública sobre higiene salvam vidas. Os voluntários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho baseados na comunidade podem rapidamente passar mensagens cruciais de saúde que permitem com que as comunidades estejam informadas e tomem decisões que reduzam os seus riscos, tais como eliminar locais de reprodução dos mosquitos.”

Enquanto entre 60% a 80% das pessoas infectadas não revelaram quaisquer sintomas, os restantes podem desenvolver febres moderadas, vermelhidão, dores musculares e de cabeça. Contudo, em Novembro de 2015, o Ministério da Saúde Brasileiro advertiu para um potencial relacionamento casual entre o Zika e o aumento de casos com condições neurológicas.

Cotte disse: “Há meio século a Organização Pan América para a Saúde foi capaz de reduzir o dengue nas Américas, e mesmo eliminá-la em algumas áreas, através da estratégia de controlo do vector. Mas o mosquito regressou e o número global dos casos de dengue aumentou de 15.000 por ano nos anos 60 para 390 milhões actualmente. Não podemos permitir que isto continue. E não podemos permitir que isso aconteça com o Zika.”

Apelo de emergência da FICV para a região da América


Nota
A doença do vírus Zika é assim denominada depois da sua descoberta na floresta Zika no Uganda em 1947 – primeiro num macaco e depois no mosquito Aedes africanus, no ano seguinte. O primeiro caso humano foi registado na Nigéria em 1952. A América do Sul reportou o primeiro caso de Zika em 2015. Existem duas estirpes do vírus - a linhagem africana, que surgiu no Uganda, e a linhagem asiática que se está a alastrar nas Américas e no Pacifico.
Para incentivar abordagens de parceria para reduzir vulnerabilidades, a FICV lançou a campanha “Mil milhões pela Resiliência” (clique aqui para saber mais sobre esta campanha), uma iniciativa que junta organizações, Governos, sector privado, académicos e grupos comunitários para encorajar mil milhões de pessoas a reduzir as suas vulnerabilidades a riscos naturais e outros até 2025.