Federação Internacional da Cruz Vermelha lança campanha global sobre migração: “Proteger a Humanidade, Acabar com a Indiferença”
Quinta, 17 Setembro 2015 00:00
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A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho lança hoje uma campanha global, apelando aos indivíduos, comunidades, decisores, comentadores e líderes a todos os níveis para que façam o possível para apoiar as pessoas vulneráveis em movimento.

A campanha “Proteger a Humanidade, Acabar com a Indiferença” visa promover a solidariedade e empatia para com essas pessoas vulneráveis nos seus países de origem e nos pontos de trânsito e de destino, e apelar à sua proteção.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho convida os apoiantes desta causa a visitar o site www.ifrc.org/protecthumanity e adicionar a sua assinatura a uma petição online apelando ao tratamento humano das pessoas vulneráveis em movimento. Os subscritores também podem partilhar os seus pensamentos sobre a questão usando a hashtag #ProtectHumanity.

A petição será apresentada aos participantes na 32.ª Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que decorrerá em Genebra em dezembro deste ano.

"Fomos todos tocados por angustiantes cenas ao longo de toda a Europa, recordando-nos dos desafios e dos múltiplos perigos que enfrentam os migrantes ao longo das suas viagens," disse Elhadj As Sy, Secretário-Geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. "Vimos também poderosas manifestações de humanidade por parte de indivíduos e comunidades locais.”

"Que este choque seja uma inspiração para agir e se juntar à nossa campanha. Ajude-nos a reafirmar que cada pessoa, independentemente do seu estatuto jurídico, tem o direito à segurança e dignidade."

A campanha está a ser lançada numa reunião de parceria da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho sobre migração em Tunis, onde participantes oriundos de todo o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, bem como representantes dos governos dos países afetados, e ainda parceiros humanitários da ONU e de diferentes ONG`s, incidirão em reforçar a resposta humanitária à crise actual, bem como melhorar o apoio às pessoas afectadas ao longo das suas viagens.

Para conhecer a campanha "Proteger a Humanidade, Acabar com a Indiferença", clique aqui.

Nas últimas semanas, voluntários e funcionários da Cruz Vermelha em Itália, Grécia, Sérvia, na antiga República Jugoslava da Macedónia, Hungria, Áustria e Alemanha permaneceram fiéis à sua missão humanitária e forneceram apoio a dezenas de milhares de migrantes vulneráveis, tratando-os sempre com dignidade.

"A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho estão presentes em todos os países," disse o senhor Sy. "Estamos presentes nas docas onde os resgatados no mar chegam a terra, estamos em estações de comboios e fronteiras em toda a Europa, e estamos à beira da estrada para fornecer alimentos, água e proteção".

Cruz Vermelha Portuguesa
A Cruz Vermelha Portuguesa associou-se à campanha "Proteger a Humanidade, Acabar com a Indiferença" e apela às pessoas a reflectirem sobre o sistema de protecção internacional e a acolherem os refugiados com respeito e dignidade.

Em Portugal, a Cruz Vermelha Portuguesa tem trabalhado em estreita colaboração com entidades e organizações responsáveis pelo acolhimento e integração de refugiados através de actividades como o Restabelecimento dos Laços Familiares e outras. No âmbito da sua cooperação internacional na área do Restabelecimento dos Laços Familiares, a CVP apoiou os refugiados que fogem do conflito do Iémen e que procuraram proteção e acolhimento em países vizinhos como o Djibouti. No terreno a CVP, em colaboração com o Comité Internacional da Cruz Vermelha, apoiou o Crescente Vermelho do Djibouti que forneceu chamadas telefónicas no porto de Djibouti aquando da chegada ao país, bem como aos refugiados que foram instalados no campo de refugiados de Markazi e num orfanato no norte do país em Obok.

Na opinião do Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, “Neste momento de crise em que se multiplicam corredores de migração forçada, a CVP está atenta às necessidades que poderão surgir em Portugal e consciente da sua missão humanitária e da importância que terá a sua intervenção no terreno.”

Contexto de fundo
Mais de 300.000 pessoas chegaram à Europa por mar este ano, enquanto um número estimado de 2.500 ter-se-á afogado tentando fazer a viagem. De acordo com as Nações Unidas, quase 60 milhões de pessoas foram deslocadas à força em 2015, e dezenas de milhões deixaram as suas casas em busca de oportunidades económicas para si e suas famílias, e em busca de dignidade e paz.