Dia Internacional dos Desaparecidos: Cruz Vermelha apela a mais esforços para documentar o destino dos desaparecidos

À medida que o mundo se prepara para assinalar o Dia Internacional dos Desparecidos a 30 de Agosto, a Cruz Vermelha apela a que governos e sociedade civil façam mais para documentar o destino do paradeiro de pessoas que desaparecem devido a conflitos ou outras circunstâncias e que deem mais apoio às famílias que ficaram para trás.

“A angústia das famílias que vivem a dor da incerteza do paradeiro dos seus familiares pode ser devastadora”, afirma Diana Araújo, coordenadora do serviço de Restabelecimento dos Laços Familiares da Cruz Vermelha Portuguesa.

Quer alguém tenha desaparecido devido a guerra, migração ou catástrofe, o sofrimento das famílias permanece. É essencial recolher informação que está disponível hoje sobre quem são as pessoas que desapareceram, como e onde desapareceram, e que possa ser útil em determinada altura para dar resposta às famílias.

Mas estas respostas podem demorar e muitas vezes não são possíveis enquanto o conflito decorre. Para algumas famílias poderá nunca haver uma resposta definitiva. E, entretanto, as famílias têm um largo espectro de necessidades de apoio.

Demasiadas vezes, especialmente em situações de conflito, o problema dos desaparecidos não é prioritário. Os governos e outros actores precisam de colocar esta questão na agenda e fazer mais para responder às necessidades práticas e emocionais das famílias.

O desaparecimento de um ente querido pode deixar a família sem apoio económico e muitas vezes os parcos recursos são utilizados na pesquisa do seu familiar. Em muitos casos as famílias não querem declarar uma pessoa desaparecida como morta e, por exemplo, não podem aceder à propriedade ou salário da pessoa.

As famílias também sofrem a nível emocional e social: podem experienciar isolamento, tristeza e marginalização e precisam muitas vezes de apoio a longo prazo para conseguir ultrapassar estas dificuldades e recuperar o controlo das suas vidas.

Para além das situações de conflito, “nos últimos meses temos assistido a um número recorde de pessoas que tentam chegar à Europa, a maioria a fugir de guerra e perseguição, e às quais as sociedades da Cruz Vermelha têm procurado responder às necessidades humanitárias, prestando primeiros socorros e apoio básico, mas também ajudando a procurar familiares”, diz Diana Araújo. “Todos os dias, nos bastidores, a Cruz Vermelha está a trabalhar arduamente para encontrar e, quando possível, reunir famílias separadas na perigosa viagem para atravessar fronteiras.”

A Cruz Vermelha Portuguesa, juntamente com outras 22 sociedades da Cruz Vermelha na Europa e o Comité Internacional da Cruz Vermelha lançaram uma ferramenta online para ajudar a reunir famílias separadas nas rotas migratórias para a Europa. O novo website www.tracetheface.org permite que qualquer pessoa separada do seu familiar coloque uma fotografia de si próprio para indicar que está à sua procura e tornar conhecido o seu desejo de ser reunido. Este nova página é uma adição ao trabalho de Restabelecimento dos Laços Familiares levado a cabo pela Cruz Vermelha há mais de 100 anos, e já tem 300 registos de pessoas que procuram os seus entes queridos.