1 ano depois do Ébola: Cruz Vermelha apoia na recuperação da Serra Leoa
Terça, 26 Maio 2015 14:09

Com os serviços de saúde básicos constrangidos pelo surto de Ébola na Serra Leoa, a Cruz Vermelha está a dar passos para restabelecer a ligação das comunidades com os serviços de saúde básica. A maioria dos programas de saúde parou há um ano atrás quando a epidemia de Ébola começou e só agora estão a recomeçar.

“Não só centenas de trabalhadores de cuidados de saúde perderam a vida, como os pais ficaram com receio de levar os seus filhos à vacinação regular, acreditando que eles poderiam ficar infetados com o Ébola. Consequentemente, um grande número de jovens faltaram à vacinação contra o sarampo ficando vulneráveis caso exista um surto,” disse Moulaye Camara, chefe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Serra Leoa.

Com início a 29 de maio, e como parte de uma campanha de imunização contra o sarampo, voluntários da d Cruz Vermelha da Serra Leoa, irão de porta em porta à procura de crianças não vacinadas. Os seus pais serão então encorajados para os levar a uma unidade móvel de saúde que será disponibilizada pelo Ministério da Saúde e Saneamento em aldeias do país.

Com o objectivo de atingir 1.5 milhões de crianças, os voluntários explicarão aos pais a necessidade de proteger as suas crianças contra outras doenças que não o ébola. “As suas comunidades confiam e respeitam os voluntários da Cruz Vermelha, sendo o papel destes fundamental na recuperação da confiança dos pais nos programas de imunização nacional.” disse Camara.

A campanha de uma semana decorre de uma campanha de quatro dias no início de maio, durante a qual voluntários da Cruz Vermelha sensibilizaram as comunidades de todo o país para a importância da vacinação contra o sarampo. Esta ação revela já resultados positivos na mudança de comportamentos.

"Os pais estão a voltar aos hospitais porque começaram a confiar outra vez e reconhecem-nos como uma mais valia. Eles querem manter as suas crianças livres de doenças como o sarampo.”, disse Melisand Bascho George, uma enfermeira de saúde maternal e infantil em Freetown.

A Serra Leoa tem uma das mais altas taxas de mortalidade materna e infantil, num rácio de 1,165 por 100,000 nados-vivos, e abaixo de 5 mortes num rácio de 156 por 1,000 nados-vivos (OMS/Observatório Global de Saúde 2013).

Passou um ano desde que o Ébola chegou à Serra Leoa, e se por um lado a Cruz Vermelha continua a responder a novos casos de Ébola, por outro planeia a recuperação, que em parte incluirá colaboração com o governo e outros parceiros para fortalecer o frágil sistema de cuidados de saúde.

“A Cruz Vermelha pode desempenhar um papel vital ao assegurar à comunidade programas de saúde que sejam mais fortes do que eram antes do ébola”, acrescentou Camara. “Os nossos voluntários capacitados podem rapidamente passar uma mensagem de saúde, crucial e culturalmente adaptada, permitindo que as comunidades tomem decisões informadas sobre os seus cuidados médicos. Temos que assegurar que os voluntários da Cruz Vermelha são integrados nos sistemas de saúde da comunidade assim que eles começam a recuperar."