O decréscimo do financiamento deixa sobreviventes do terramoto no Nepal, em grande risco, adverte Cruz Vermelha
Segunda, 25 Maio 2015 16:07

Dezenas de milhares de pessoas ficarão com pouca ou nenhuma proteção da iminente estação de monções, a menos que os doadores avancem urgentemente com fundos para apoiar com abrigos de emergência para os sobreviventes do terramoto.

Na passada terça-feira, um segundo tremor de terra destruiu milhares de casas no distrito que já havia sido atingido a 25 de abril pelo terramoto de 7.8. O aumento dos níveis de destruição têm agravado o sofrimento das pessoas, particularmente nos distritos de Dolakha e Sindhupalchok onde mais de 90% das construções foram reduzidas a escombros e milhares de pessoas foram mortas.

“Todos os dias, nós levamos para o país, tendas e lonas que são enviadas para as áreas mais afetadas, mas simplesmente não é o suficiente”, disse Martin Faller, o chefe da Federação Internacional das Sociedades Cruz Vermelha e Crescente Vermelho no Nepal. “Quanto mais tempo, forem as pessoas forçadas a viver na pobreza e em condições insalubres entre os escombros das suas antigas casas, maior é o risco de surto de doenças. A cólera é uma ameaça potencial nestas condições e nós estamos aumentando os nossos esforços de prevenção.”

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) expandiu as suas operações de emergência no rescaldo do segundo terramoto e apela por 84 milhões de euros para apoiar 700.000 pessoas com o principal foco em abrigos, saúde, água potável e saneamento e apoio de emergência.

Mais de 225.000 pessoas estão abrigadas em tendas e lonas da Cruz Vermelha, com dezenas de milhares que irão receber ajuda nos próximos dias e semanas. Ferramentas, materiais e formação em técnicas de construção segura e apoio financeiro, serão também distribuídos para apoiar famílias à medida que lutam para a reconstrução.

De momento, estão a operar no país, 6 equipas de resposta de emergência médica da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho incluindo um hospital com 60 camas erguido pela Cruz Vermelha Norueguesa em Choutara, no distrito de  Sindhupalchok. Dezenas de milhares de litros de água potável são diariamente distribuídos a milhares de pessoas pelas equipas da Cruz Vermelha.

Chegar às áreas mais remotas e montanhosas para levar apoio é o maior desafio, particularmente no rescaldo do segundo terramoto, mas a Cruz Vermelha está a trabalhar com agências parceiras para recrutar e treinar centenas de Sherpas que estarão aptos para aceder a áreas difíceis com apoio de emergência.

Dev Ratna Dhakhwa, Secretário Geral da Cruz Vermelha Nepalesa disse: “Os deslizamentos e as quedas de rochas têm tornado a nossa missão extremamente difícil e lutamos para ultrapassar esses desafios – mas não conseguiremos alcançar esse resultado sem apoio financeiro. A coordenação com outras organizações e governo é também vital para assegurar que as pessoas mais vulneráveis recebem o apoio que tão desesperadamente precisam.”

A Cruz Vermelha Nepalesa trabalha nos 14 distritos mais afetados, com equipas de especialistas operando nas áreas mais remotas, e mais de 6.500 voluntários.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha está também a trabalhar nas áreas afetadas pelo terramoto, reunindo milhares de pessoas com os seus entes queridos, providenciando apoio psicossocial aos sobreviventes e trabalhando com as autoridades nepalesas na gestão dignificante dos mortos e da identificação de cadáveres.

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