Declaração dos presidentes da Federação e Comité Internacional no Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho
Sexta, 08 Maio 2015 09:27

Tadateru Konoé, Presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, e Peter Maurer, Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha

A ação humanitária, neutral e imparcial, realizada por voluntários tem estado no centro do trabalho do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho desde os primeiros dias. Adotados oficialmente faz 50 anos, os Princípios Fundamentais – Humanidade, Imparcialidade, Neutralidade, Independência, Voluntariado, Unidade e Universalidade – servem de base nas nossas decisões e ações atuais e futuras. Vendo os nosso abnegados voluntários e pessoal em ação, para ajudar os que lutam por superar as consequências do violento terramoto no Nepal, não se pode ter qualquer dúvida de que continuam tendo um papel imprescindível nos valores humanitários que hoje celebramos. Não obstante, à medida que as necessidades humanitárias surgem e se tornam mais exigentes, a pertinência dos nossos princípios e da nossa capacidade de prestar serviços são colocadas à prova.

Desde a adoção dos Princípios Fundamentais, a natureza das crises e da guerra tem-se tornado mais complexa. Nos nossos dias, os conflitos armados prolongam-se e, são agravados pelas alterações climáticas, os desastres naturais são mais extremos. O aumento dos fluxos migratórios, a recorrência das crises de segurança alimentar e das epidemias de saúde deixaram as povoações em situações limite, criando ressentimento e instalando a desconfiança.

Na Síria, no Iémen, na República Centro Africana, Mianmar e Sudão do Sul, dezenas de voluntários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho foram assassinados ou feridos nos últimos 12 meses. Os trabalhadores de ajuda que combatem o ébola na Guiné foram agredidos numa média de 10 vezes por mês. Na Síria e no Iémen, as instalações de saúde são objeto de ataques diretos e os comboios de ajuda correm perigo apesar dos veículos estarem claramente identificados com os emblemas protetores da cruz vermelha ou do crescente vermelho.

Esta falta de compreensão, as más interpretações comuns ou a politização cada vez mais frequente, e em determinadas ocasiões, e a rejeição constante dos Princípios Fundamentais comprometem a nossa capacidade de resposta às necessidades das pessoas em algumas situações mais perigosas do planeta. Devemos redobrar os nossos esforços para que o mundo esteja clarificado do que os nossos princípios defendem no Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e levar avante as nossas tarefas com resolução e determinação para responder às necessidades das comunidades vulneráveis que se vêem afetadas por crises ou conflitos.

No panorama humanitário de hoje, não podemos permitir que os nossos Princípios Fundamentais sejam mal interpretados. Guiados pelo espirito da humanidade, o único propósito da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é ajudar aqueles que necessitam. As nossas ações regem-se pela imparcialidade e prestamos serviços sem distinção alguma por motivos de origem, nacionalidade, opiniões ou crenças. A nossa neutralidade garante que todas as partes entendam que não tomamos partido.

Ainda agora, neste mutante panorama humanitário, os que prestam assistência, em concreto os nossos voluntários que estão na comunidade, enfrentam um risco pessoal inimaginável. Estes princípios são o nosso único meio de garantir que os 17 milhões de voluntários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho presentes em 189 países podem prestar ajuda a pessoas afetadas por crises ou conflitos. De uma ou de outra forma, por mais de 150 anos têm sustentado uma ação humanitária baseada em princípios assegurando que quando estão mais desesperadas as pessoas têm acesso a protecção e apoio. Só podemos levar a cabo o nosso trabalho se os nossos princípios e os nossos emblemas forem respeitados: no fundo são a nossa única defesa.

Portanto, hoje mais do que nunca, instamos a todas as partes, estatais ou não, a assegurar os valores humanitários referidos nos princípios da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Isto é necessário para construir a confiança e a aceitação das comunidades e prestar um apoio vital aos mais vulneráveis. O compromisso dos nossos milhões de voluntários com o seu trabalho é em si uma afirmação da crença do que pode suceder e sucederá.

Na celebração de meio século, desde a sua adoção, o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho inicia um diálogo mundial sobre os Princípios Fundamentais e o seu contínuo papel na prestação de serviços humanitários.

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