Campanha “Palavras contra o Ébola”
Quarta, 01 Abril 2015 11:26

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Um ano depois, o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho lança a campanha “Palavras contra o Ébola”

Fez este mês um ano que foi confirmada a epidemia de ébola na África Ocidental, que afectou centenas de pessoas e deixou profundas marcas em todas as comunidades e países.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho diz que a complacência e o silêncio são agora os maiores inimigos no combate à doença, e lança uma campanha de sensibilização centrada no uso das “palavras certas” para ajudar a pôr término a esta doença.

Os objectivos desta campanha – "Palavras contra o Ébola" – são: o promover de conhecimento e alerta, aliviar o medo, superar a complacência e criar uma comunidade de apoio global para reduzir o número de casos de Ébola a zero.

A tecnologia médica por si só, já não basta. Práticas precisam ser mudadas e as palavras são a melhor ferramenta para tal. Levará tempo e um compromisso inabalável.

 

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É necessária uma dinâmica constante

O Comité Internacional da Cruz Vermelha e a Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho apelam em conjunto para um constante empenho e dinâmica na luta contra o ébola, para assegurar que a população da África Ocidental não é esquecida.

“Nós estamos numa encruzilhada”, diz o Director Geral do CICV, Yves Daccord. “Um caminho diante de nós é o da solidariedade internacional sustentada e ainda mais heroísmo pelos voluntários locais e trabalhadores de saúde. Dessa forma, permaneceram zero casos, sistemas de saúde mais fortes e a recuperação das feridas que o ébola infligiu nas comunidades.”

“Mas se formos pelo caminho da complacência ou da fadiga, podemos encontrarmo-nos a lidar com um desastre silencioso, tornando o acesso às comunidades mais difíceis e pondo em causa não apenas a recuperação, mas o progresso que já fizemos,” adverte.

 

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Juntos conseguiremos parar o Ébola

A campanha “Palavras contra o Ébola” será lançada em paralelo na Europa e na África Ocidental.

“Vamos usar o poder das palavras para reparar preconceitos, promover o diálogo, curar, reconciliar e envolver para superar a resistência, facilitar a mudança de comportamento e, finalmente chegar a zero novos casos,” diz Elhadj As Sy, Secretário-Geral da Federação Internacional.

Um dos factores mais importantes na condução para os zero casos no último ano tem sido a redução de práticas funerárias desprotegidas, em que os corpos ainda em estado contagioso dos falecidos são manipulados pelos parentes enlutados. Em alguns lugares, no entanto, práticas sem protecção continuam.

Os três países mais afetados pelo ébola – Guiné, Libéria e Serra Leoa – continuam a relatar uma recusa por parte das comunidades em cooperar com medidas públicas de saúde, e até mesmo assaltos a cuidadores.

“As nossas palavras e as nossas acções farão a diferença. Elas vão abrir o último quilómetro para a confiança e a resiliência.”, diz Elhadji As Sy, “Palavras para quebrar o estigma contra trabalhadores de cuidados médicos e sobreviventes, palavras para educar comunidades sobre prevenção, palavras de solidariedade vindas de todo o mundo, para dizer às pessoas e comunidades afetadas: Não vos vamos desapontar e juntos conseguiremos vencer o Ébola.”