Dia Internacional da Mulher: apelo ao apoio e protecção das mulheres que lidam com os efeitos da guerra na Síria
Sexta, 06 Março 2015 17:07

O mundo irá assinalar o Dia Internacional da Mulher, e o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho aproveita para apelar a um maior esforço na protecção e no apoio a mulheres e raparigas, expostas a múltiplas formas de violência devido ao conflito na Síria e que necessitam urgentemente de acesso a serviços médicos essenciais. As mulheres, que desempenham um papel fulcral, ajudando famílias e comunidades a sobreviver a este trauma contínuo, que se prolonga há cinco anos, merecem um maior apoio e encorajamento.

din int mulher 3       Podem ser observados exemplos do poder que as mulheres têm durante crises, onde quer que as pessoas tenham encontrado refúgio dos combates. Num abrigo improvisado de refugiados em Ketermava, no Líbano, por exemplo, Nejmeh de 14 anos ensina a ler, a escrever, matemática e ciências a um grupo de crianças sobreviventes. Esta mulher resiliente, da periferia de Damasco, oferece estas aulas ao ar livre como uma pequena e positiva distração para as crianças, algumas das quais passaram metade das suas vidas sentindo o horror da guerra. “Eu espero que dando-lhes educação, os ajude a esquecer os seus problemas e a perda dos seus entes queridos,” disse ela.

A algumas centenas de quilómetros de distância, uma mãe de 44 anos, com quatro crianças, luta para sustentar a família como refugiada em Erbil, no Iraque, onde mais de 80.000 sírios vivem onde quer que encontrem um telhado acolhedor: em garagens, estruturas em construção, abrigos informais ou pequenos apartamentos. “Por agora sobrevivemos porque os nossos vizinhos iraquianos cozinham pelo menos duas a três vezes por semana para nós,” diz Kadija, uma viúva que encontra diversos trabalhos para sustentar a sua família. “Mas não é o suficiente. Todos os dias, tenho que encontrar uma maneira para as minhas crianças sobreviverem.”

Estes são apenas dois exemplos de mulheres que lidam com a extrema dificuldade causada pelos quatro anos de conflito na Síria, que deslocou bruscamente 8 milhões de pessoas no país e fez com que cerca de 4 milhões procurassem refúgio nos países vizinhos (Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia). Entre eles estão cerca de 4 milhões de mulheres e raparigas adolescentes, muitas delas que são agora cabeça de casal ou o sustento da casa em famílias que perderam os maridos, os pais e/ou os irmãos.

Enquanto isso, o acesso a cuidados de saúde apropriados a estas mulheres e raparigas é extremamente limitado, exactamente quando a sua própria saúde e a dos seus familiares é particularmente frágil. Mesmo assim, as mulheres servem muitas vezes como espinha dorsal da família e da resiliência comunitária mantendo as suas famílias saudáveis, nutridas e unidas.

“As mulheres são essenciais em dar esperança e garantir que as suas famílias continuam a lidar com as situações mais adversas”, diz Tadateru Konoé, presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV). “Temos que prestar atenção à sua situação e garantir apoio por todos os meios necessários.”

Uma forma crucial de dar apoio é garantir o acesso a serviços básicos de saúde. “Muitas vezes, o maior impacto de saúde provocado por conflitos não são as feridas infligidas por balas ou bombas, mas o efeito secundário causado pelo desalojamento, contaminação das águas, má nutrição e a rutura dos serviços de saúde,” diz Peter Maurer, presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV). “Juntamente com as crianças, as mulheres sofrem desproporcionalmente, na medida em que as suas necessidades de saúde não são abrangidas na luta diária pela sobrevivência básica.”

Entre os 12 milhões de pessoas que deixaram as suas casas devido ao conflito, por exemplo, cerca de 500 mil são mulheres grávidas, que estão em risco devido a má nutrição, falta de acesso a serviços de obstetrícia e outros factores.

O Movimento apela também a todas as partes envolvidas no conflito, que respeitem e protejam os funcionários e voluntários das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e de outras organizações humanitárias – muitos dos quais são mulheres. Dos 40 voluntários do Crescente Vermelho Sírio e dos 7 do Crescente Vermelho Palestino mortos desde o início do conflito, 3 são mulheres.

 
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Nas suas operações humanitárias na região, o CICV e a FICV trabalham com as Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho nos países afectados para fornecer vários apoios, desde a distribuição de alimentos, a cartões de dinheiro para comprar alimentos e suplementos, a primeiros socorros, a transporte médico de emergência, a cuidados de saúde, a projectos que gerem rendimento para ajudar as pessoas a recuperar a sua autossustentabilidade.

Nos locais onde se encontra disponível este tipo de apoio e protecção, muitos homens e mulheres têm sido capazes de ter um maior controle nas suas vidas. Um exemplo disso é Siba, uma mãe e chefe de família que fugiu do combate no norte da Síria para a Turquia. “Eu tinha que ajudar a minha família, por isso tive aulas de turco”, explica Siba. “Depois de sete meses, comecei a trabalhar para uma empresa de telecomunicações e depois num hospital como tradutora.”

Diante de qualquer crise ou catástrofe, o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho está empenhado em fortalecer ainda mais as mulheres, para responderem às suas próprias necessidades e priorizar a protecção de mulheres e raparigas vulneráveis em países e comunidades em todo o mundo.

Conheça mais histórias, fotos e testemunhos em vídeo em http://www.icrcproject.org/app/syria-women/