Comunicado da Cruz Vermelha Portuguesa
Terça, 15 Outubro 2013 09:36

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A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) foi mais uma vez surpreendida por notícias que de alguma forma visam diminuir a confiança no seu hospital, o Hospital da Cruz Vermelha (HCV).
Estas notícias insinuam que há uma relação de favor com o Estado e põem em causa a solvabilidade financeira do HCV, o que não corresponde à realidade.
A relação da CVP com o Estado não é, nem nunca será, uma relação de favor. O acordo celebrado com a ARS LVT baseia-se na disponibilidade do Hospital em tratar doentes em espera do SNS, em particular na área de cirurgia cardíaca. Neste sentido, é nosso entendimento que é ao Ministério da Saúde a quem cabe avaliar as necessidades no setor e garantir as respetivas respostas.
Estas respostas não constituem uma mera avaliação financeira ou contabilística, mas antes a resposta a uma necessidade, aliás abundantemente documentada numa auditoria internacional e independente realizada por solicitação da ARS-LVT.
Nessa auditoria, concretamente em 2013, foram detetados centenas de pacientes em listas de espera por períodos superiores a três anos.
Diz o relatório de auditoria:
- "O Comité de auditoria ficou chocado com as questões das listas de espera", verificando que há tempos de espera superiores a 20 meses. Em certas situações, os tempos de espera excedem a expetativa natural de vida do paciente, o que foi considerado pela comissão como uma infração aos direitos dos doentes no acesso a cuidados de saúde.
- "O drama é que na lista de espera atual alguns pacientes esperam três anos pela cirurgia torácica e os pacientes idosos de alto nível de risco estão à espera dois anos pela cirurgia cardíaca major".
Acrescentam os peritos que os pacientes de fora da região de Lisboa e Vale do Tejo são aceites e têm prioridade acima de pacientes da região LVT, já em lista de espera.
Sobre dois dos hospitais da região auditados, o relatório recomenda que algumas unidades devem deixar de aceitar novos pacientes enquanto as listas de espera excederem os intervalos legalmente aceitáveis. São ainda afirmações do relatório:
- "A lista de espera está dramática e completamente fora de controlo" .
- "As listas de espera existem para além da aceitabilidade para pacientes e para a sociedade."
O relatório conclui: "A continuação de um contrato básico com um Hospital semipúblico como o da Cruz Vermelha, faz sentido e deve ser mantido como apoio".

Importa salientar que o peso de doentes do SNS na produção do Hospital é apenas de 5%, sendo completamente marginal no equilíbrio financeiro.
Neste momento, o HCV assume-se como o maior exportador português de serviços clínicos na área da Saúde, representando 40% das suas receitas, enquadrável em serviços prestados quer em Portugal a cidadãos estrangeiros, quer em países estrangeiros a cidadãos desses países, o que se deve exclusivamente à sua especialização e reconhecimento internacional na área do coração.
Finalmente, queremos afirmar que a CVP é uma instituição humanitária universal, que presta os mais variados e socialmente relevantes serviços à comunidade, combatendo a doença e a pobreza de milhares e milhares de portugueses. Importa referir que a situação dos desempregados, dos novos pobres e dos mais desprotegidos constituem hoje as nossas principais preocupações.

A Cruz Vermelha Portuguesa reafirma a sua total disponibilidade e do seu Hospital, no âmbito da sua missão, para aceder a todas as solicitações que se impõem em tempos tão difíceis como este.

 

Luís Barbosa

Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa