Terramoto no Haiti, 3 anos em diante: testemunho de Rozette Roseau
Quarta, 16 Janeiro 2013 18:30
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Três anos depois do terramoto que devastou Porto-Príncipe, no Haiti, continuam as tentativas de dar assistência àqueles que vivem em campos a encontrarem ou construírem novas casas e meios de subsistência.

Rozette Roseau, que tem estado a viver numa tenda há dois anos, nunca pensou ver o dia em que se sentiria segura numa nova casa. Mas o dia chegou. “Já terminei quase de empacotar as minhas coisas. Tudo o que falta é deitar abaixo a tenda”, diz.

Natural de Jeremie, um distrito no sudeste do Haiti, Rozette mudou-se para Porto-Príncipe em 1992 à procura de trabalho e de uma vida melhor. Mãe de dois rapazes, ganhava a vida lavando roupa e vendendo água nas ruas.

Quando o terramoto de Janeiro de 2010 atingiu a cidade, Rozette foi uma das milhares de pessoas que perderam as suas casas e pertences. Sem nenhum sítio para dormir à noite, Rozette e os seus dois filhos seguiram como tantos outros para o Centro Dadadou, em Delmas 3, na parte baixa de Porto-Príncipe.

Dadadou, antes um popular centro desportivo, tornou-se a casa de centenas de deslocados depois do terramoto. Sem nenhum trabalho nem meio de se sustentar e aos seus dois filhos, Rozette contava com a solidariedade da família e dos amigos de forma a sobreviver. A ideia de encontrar uma casa e sair do campo parecia impossível.

Como parte do programa de descongestionamento do campo, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (FICV), em parceria com a Cruz Vermelha haitiana (CVH), trabalharam para dar soluções de alojamento àqueles que vivem no Campo Dadadou. Actualmente todas as 150 famílias que se encontravam a viver no campo depois do terramoto foram relocados. A família da Rozette foi uma delas. “Sinto-me como se estivesse a viver outra vez”, diz enquanto se senta na sua nova casa. “Agora, não tenho que me preocupar se chove em cima de nós, ou com ladrões a destruírem a minha tenda e levarem as poucas coisas que tenho.”

Rozette também recebeu um pequeno subsídio de meio de subsistência da Cruz Vermelha, com o qual foi capaz de começar um pequeno negócio de venda de cosméticos. As suas crianças voltaram para a escola depois de quase dois anos sem poderem ir.

Finalmente, Rozette consegue dar os seus passos para estabelecer a vida que tinha antes de 12 de Janeiro, 2010. “Se não fosse pela ajuda da Cruz Vermelha, creio que ainda estaria a viver numa tenda no campo – não porque queria, mas porque não tinha hipótese. A Cruz Vermelha deu-me uma opção.”