3 anos depois do terramoto, Haiti ainda enfrenta enormes desafios
Quarta, 16 Janeiro 2013 18:14
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Fotografias das casas construídas através do projecto conjunto CV Suiça e CV Portuguesa – Palmiste à Vin, Haiti

Três anos depois do catastrófico terramoto que matou 217.300 pessoas e deixou 2.1 milhões de desalojados, a Cruz Vermelha continua a trabalhar para que muitos milhares de afectados de campos temporários passem para casas permanentes. Alexandre Claudon, representante do país da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (FICV) no Haiti, afirmou que viver durante três anos debaixo de tendas, em campos inseguros é demasiado tempo, mas a organização, em parceria com a Cruz Vermelha Haitiana (CVH), encontra-se a responder a este problema com a máxima prioridade. “O terramoto no Haiti foi uma das mais complexas emergências que tivemos de lidar nos últimos tempos,” afirma. “As pessoas podem perguntar-se o porquê de tanta gente encontrar-se ainda desalojada, mas questões básicas como determinar a quem pertence o terreno onde podemos construir e como pessoas desempregadas podem pagar as suas rendas, continua a complicar seriamente o processo de reconstrução.”

Desde o terramoto a 10 de Janeiro 2010, o número de pessoas a viver em campos desceu aproximadamente de 1.5 milhões para cerca de 350 mil. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho apoiou cerca de 40 mil famílias (aproximadamente 200 mil pessoas) a encontrar sítios seguros para viver, representando mais de um terço de todos os realojados pelas agências humanitárias. Dessas 40 mil famílias, mais de 10 mil (aproximadamente 50 mil pessoas) beneficiaram de um programa de relocalização inovadora liderado pela Cruz Vermelha que apoia as pessoas a encontrar sítios seguros para viver de acordo com as disponibilidades de arrendamento.

Claudon afirma: “Os perigos a que uma pessoa se encontra exposta ao viver num campo – riscos de segurança, a vulnerabilidade a desastres naturais e não menos importante o aumento de risco de cólera e outras doenças – significa que, para a Cruz Vermelha, apoiar as pessoas a encontrar alojamentos mais seguros está no topo da nossa agenda. “Durante a fase de emergência deste terramoto, os campos foram uma necessidade a curto-prazo para as pessoas que não tinham onde viver. Já ultrapassámos há muito esta fase e continuamos a enfrentar imensos desafios três anos depois.”   

Assim como o apoio ao arrendamento, os programas incluem igualmente subsídios de apoio aos meios de subsistência e opções de formação que ajudam as famílias a assegurarem um rendimento e permitir-lhes continuar a pagar as suas rendas de forma independente. Ao abordar a questão do ponto de vista da oferta de alojamento, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho está também a apoiar a reabilitação dos bairros na capital haitiana, Porto Príncipe, com melhores construções, saneamento e iluminação entre outras medidas, ajudando a providenciar mais e melhores alojamentos. Encontramo-nos comprometidos a trabalhar com o governo e outras agências para responder a este problema como uma matéria de urgência”, disse Claudon. “O governo identificou mais 115 campos prioritários ‘em risco’ e, como uma agência já na vanguarda de resolver esta questão, não há dúvida que iremos fazer a nossa parte nas semanas e meses que virão.” Recorde-se que a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP)  apoiou desde o primeiro momento as operações levadas a cabo pela FICV, tendo contribuído para o seu apelo internacional. A CVP conclui em 2012 o projecto de construção de 600 casas em Palmiste-à-Vin em colaboração com a Cruz Vermelha Suíça.