Novo relatório da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho: mais de 72 milhões de deslocados forçados em todo o mundo
Segunda, 15 Outubro 2012 16:17

Ideias-chave do Relatório Mundial sobre Desastres 2012

"Migração forçada e deslocamentos" 

(clique aqui)

capa rmd2012      Mais de 72 milhões de pessoas, mais de um em cada 100 cidadãos do mundo, são agora deslocados forçados, refere um novo relatório divulgado hoje pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).
Segundo o Relatório Mundial sobre Desastres de 2012, um número crescente de pessoas é forçado à migração por um conjunto de, do que se chama, “cada vez mais complexas “condições”, incluindo o conflito e a violência, as catástrofes, a agitação política e até mesmo pelo desenvolvimento de projectos em grande escala. Deste número de pessoas, cerca de 20 milhões vivem num estado de deslocamento prolongado.
O relatório assinala que a crescente resistência dos políticos e dos cidadãos para apoiar as pessoas que foram forçadas a fugir de suas casas é talvez o principal impedimento para proporcionar melhor apoio humanitário e a longo prazo para estas populações altamente vulneráveis.

Segundo esta publicação:

  • “Muitos Estados decidiram efectivamente que a miséria dos migrantes forçados excluídos é um preço infeliz que vale a pena pagar para evitar ter de enfrentar as difíceis questões políticas;
  • Há falta de abordagens inovadoras que poderiam ajudar a aliviar o trauma do exílio prolongado... A dificuldade não reside em novas ideias, mas em escapar das antigas."

Veja aqui o sumário do Relatório Mundial sobre Desastres 2012.

Bekele Geleta, Secretário Geral da FICV, diz que o relatório fornece "apoio prático" ao apelo da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho para que os governos garantam que os migrantes, independentemente do seu estatuto jurídico, tenham acesso ao suporte que precisam e que sejam tratados em todos os momentos com respeito e dignidade.
"Em Novembro passado, na nossa Conferência Internacional, 164 governos concordaram com este princípio e na verdade eles aprovaram uma resolução para este efeito. Foi um passo importante, mas foi apenas um passo”, disse Geleta. "Os governos precisam de adoptar novas políticas e estratégias que reconheçam os direitos dos migrantes e que os ajudem a tornarem-se membros produtivos das comunidades e não párias sociais".
O relatório sublinha um certo número de abordagens e políticas que os governos poderiam adoptar para minimizar o sofrimento dos migrantes forçados no mundo, incluindo formas mais flexíveis de cidadania, garantindo que têm o apoio que precisam para encontrar trabalho e serem integrados nas suas novas comunidades; abordagens transfronteiriças mais simplificadas; e melhor protecção contra a criminalidade e a violência.
O Relatório Mundial sobre Desastres está na sua 20ª edição e ao longo das últimas duas décadas abordou temas como a ética no auxílio, crises negligenciadas, saúde pública, VIH, Sida e risco urbano.

Dados sobre Desastres de 2011: menos desastres, mas mais caros.
O relatório também apresenta uma síntese anual de informação sobre desastres. 2011 foi o ano mais caro da última década em termos de custos de desastres, mas também apresenta o menor número de desastres no mesmo período.
Ao todo, 336 desastres custaram aos países 365,5 biliões de dólares. Mais da metade destes custos foram registados no Japão, onde o terramoto e tsunami de Março de 2011 causaram danos no valor de 210 bilhões de dólares.