Dia Internacional dos Desaparecidos
Quarta, 29 Agosto 2012 21:28

Ajudar as famílias na sua busca para descobrir o que aconteceu

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As famílias de inúmeras pessoas em todo o mundo que desapareceram devido a conflitos armados ou outras emergências estão a enfrentar uma dolorosa incerteza ao continuarem sem notícias dos seus familiares. Ao mesmo tempo que as autoridades responsáveis de acordo com o direito internacional humanitário têm a obrigação de fazer tudo ao seu alcance para determinar o que aconteceu àqueles que desapareceram, é necessário um maior compromisso para ajudar as famílias dos desaparecidos a ultrapassar as dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia.

"As cicatrizes que a guerra deixa nos familiares das pessoas desaparecidas e nas suas comunidades são profundas”, diz Marianne Pecassou, que dirige as actividades levadas a cabo pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) com as famílias dos desaparecidos. “As pessoas que não sabem se aqueles que desapareceram estão vivos ou mortos, vivem uma vida de incerteza. Em alguns casos, encontram-se à espera durante décadas, levando-os a um isolamento emocional e social. Às vezes, são vistos como portadores de má sorte e as mulheres podem ser estigmatizadas porque ficam sem a protecção de um membro familiar masculino.”

É importante sublinhar que as próprias famílias costumam encontrar formas de, com ou sem ajuda, ultrapassar esses desafios, sendo através da reunião de pessoas para honrar a memória das pessoas desaparecidas ou pela realização de rituais fúnebres alternativos. Ao manter a presença dos seus familiares desaparecidos nos seus corações e mentes, as famílias asseguram-se que eles não desaparecem completamente.
Na Líbia, onde um grande número de pessoas desapareceu, incluindo muitos que foram presos ou morreram durante o recente conflito, há centenas de famílias que ainda não sabem o que acontecem aos seus familiares. “Dar-lhes informação sobre o destino dos seus familiares não é apenas uma obrigação legal, mas uma questão de humanidade”, diz Laurent Saugy, que coordena as actividades do CICV na Líbia relacionadas com o desaparecimento de pessoas.
Em cerca de doze contextos a nível mundial, o CICV dá apoio aos esforços das autoridades na contabilização das pessoas que desapareceram durante um conflito armado. Na Geórgia e no Nepal, são as redes de apoio que ajudam as famílias dos desaparecidos a superarem diversas necessidades sociais, emocionais e económicas. Para além disso, o CICV encoraja as autoridades e a sociedade civil a apoiar as famílias nos seus esforços de superar os desafios que enfrentam.
Reuniões e outros eventos planeados para o dia de hoje em que se assinala o Dia Internacional dos Desaparecidos ou outras datas em todo o mundo (Líbano, Nepal e Timor-Leste, por exemplo) ajudarão a manter viva a memória daqueles que ainda se encontram em paradeiro desconhecido. Por outro lado, ajudará as famílias a lidar com a incerteza de não saberem se os seus familiares estão vivos ou mortos. Os eventos também são uma forma de partilhar a dor e uma oportunidade única para chamar a atenção para este drama.
“Não interessa quando tempo passou, as autoridades devem fazer tudo o que está ao seu alcance para dar resposta ao que aconteceu àqueles que desapareceram e dar às famílias qualquer tipo de informação que obtenham,” diz Pecassou. “Entretanto, é urgente dar às famílias o apoio que necessitam para lidar com os desafios diários e uma vida decente.”