Japão: a longa recuperação um ano após o terramoto/tsunami
Domingo, 11 Março 2012 09:57

tn stacks_image_592

Mais de 700 trabalhadores psicossociais apoiaram 14.039 pessoas

     

JAPÃO

1º aniversário

Tsunami/terramoto 11/3/2011

Um ano após o maior desastre natural registado no Japão a 11 de Março de 2011, a zona afectada pelo terramoto e tsunami dá sinais de recuperação. O tsunami causou a devastação ao longo de 700 quilómetros da linha costeira no nordeste do Ilha Honshu. Actualmente, quase 70% dos aproximados 22 milhões de toneladas de entulho foram meticulosamente retirados, a electricidade e as comunicações foram restabelecidas e os negócios locais estão lentamente a ser retomados.

Mas o progresso nas cidades mais afectadas é lento. A reconstrução em larga escala de casas permanentes ainda não começou e os sobreviventes estão ansiosos em relação à falta de planos claros de reconstrução, particularmente aquelas famílias que foram evacuadas após o incidente nuclear de Fukushima e que receiam as possíveis consequências de saúde a longo prazo. Veja a notícia: "A Cruz Vermelha apela a uma maior preparação nuclear um ano após o terramoto e tsunami."

A Cruz Vermelha Japonesa, que enviou cerca de 900 equipas médicas e centenas de trabalhadores de apoio psicossocial para dar apoio às operações de socorro, encontra-se agora centrada em dar resposta às necessidades de mais de 300 mil pessoas que estão a viver em casas temporárias.

“Encontramo-nos a fazer o possível para que as pessoas estejam confortáveis, embora as condições em que vivem são apertadas e frias no inverno. Encontramo-nos igualmente a ajudar a prevenir que muitos idosos que sobreviveram não se isolem emocionalmente e fiquem inactivos físicamente”, disse Tadateru Konoe, Presidente de ambas Cruz Vermelha Japonesa e Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

 “As pessoas perderam não apenas as suas casas, como os seus empregos. A magnitude do que perderam é tão elevada que é difícil para eles fecharem o ciclo e seguirem em frente; por isso creio que necessitam realmente de apoio psicológico”, refere Sachiko Abe, a coordenadora psicológica da Cruz Vermelha Japonesa no distrito de Iwate. 

“O número de pessoas que têm assistido a estas sessões aumentou, demonstrando que se estão a tornar cada vez mais sustentáveis e que os próprios residentes estão a ir ao encontro dos que mais necessitam”, diz Dr Toshiharu Makishima, um dos pioneiros de apoio psicossocial desde que, como cirurgião da Cruz Vermelha, presenciou as necessidades emocionais dos refugiados que fugiam da violência no genocídio no Ruanda em 1994.

Estes exemplos demonstram que o bem-estar é composto tanto por factores físicos como psicológicos.

Esse é essencialmente o pensamento que está por detrás da decisão da Cruz Vermelha em estabelecer o Projecto Parque Sorriso, um parque infantil indoor, destinado para as crianças de Fukushima cujas famílias não se sentem seguras em deixá-los brincar na rua.

“Sinto-me muito agradecida por a Cruz Vermelha ter criado este parque infantil; os meus dois filhos parecem muito felizes e não querem ir para casa”, diz uma mãe, Tamami Morino. “Registámo-los inicialmente para 2 horas e eles estenderam a sua estadia para 4 horas.”

É agora claro que a Cruz Vermelha irá continuar a ter um papel crucial no apoio às comunidades agora e no futuro. Fundamental para a resposta desta Sociedade Nacional é a convicção de que as pessoas necessitam mais informação para estarem mais preparadas para eventualidades como esta.

As doações globais permitiram à Cruz Vermelha fazer uma diferença real na ajuda aos sobreviventes do tsunami a recuperar a sua resiliência, com mais de 528 milhões de euros, onde a Cruz Vermelha Portuguesa contribuiu com 59 mil euros.

Esses fundos estão a ajudar, entre tantas outras actividades, a tornar a vida dos que vivem em casas temporárias mais agradável, como apoiando os mais vulneráveis, entre eles idosos e crianças.