Dia Internacional da Mulher: acabar com a violência deve começar pela comunidade
Quinta, 08 Março 2012 16:24
dia int mulher  

Por Anitta Underlin

Directora da zona geográfica europeia da Federação internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Hoje, 8 de Março, muitas Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e países juntam as suas vozes para celebrar a Mulher. São muitas as maneiras como este Dia Internacional da Mulher é entendido e comemorado em todo o mundo, variando entre celebrações de respeito, amor e apreciação da Mulher pelas suas realizações nas esferas económica, política e social, a comemorações e iniciativas de sensibilização e consciencialização sobre a luta da Mulher contra a discriminação baseada no género e violência.

No entanto, nem todas serão capazes de apreciar e celebrar este dia da mesma forma. Durante a ultima Assembleia Geral da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em Novembro de 2011, a Federação lançou a Estratégia de Prevenção, Mitigação e Resposta contra a violência para 2011-2020, onde salienta o dever e responsabilidade das Sociedades Nacionais e da Federação de responder e trabalhar na prevenção de episódios de violência, muitos dos quais são perpetrados em mulheres e meninas.
A violência não tem barreiras de idade, cultura, raça e classe ou estatuto sociais, e pode dar-se nos mais diversos locais. A violência pode tomar várias formas, desde o assédio sexual, ameaças de morte, espancamento, sequestro, tráfico humano, violações, coerção e privação arbitrária de liberdade. As mulheres e as meninas encontram-se particularmente vulneráveis e como exemplo disso, e de acordo com números fornecidos pelas Nações Unidas, estas representam 80% das cerca de 800 mil pessoas que são traficadas anualmente no mundo, onde 79% são por motivos de exploração sexual.
A partir de hoje, quase 1/3 das Sociedades Nacionais em todo o mundo têm programas a decorrer de prevenção da violência, incluindo iniciativas que se associam à prevenção de não-discriminação e respeito pela diversidade, advocacia e diplomacia humanitária, Direito Internacional Humanitário (DIH), projectos de Jovens em Acção para Mudanças de comportamento e outros projectos relacionados com esta faixa etária. Algumas dessas actividades centram-se, especificamente, em mulheres e meninas.
Em Espanha, a Cruz Vermelha dá apoio psicológico, legal e social a mulheres vulneráveis, através de uma rede de emergência e casas sociais para mulheres e filhos que sofreram abusos e trabalha activamente na prevenção da violência baseada no género, tanto a nível nacional como internacionalmente, graças ao serviço 24/7 de teleassistência que cobre todo o território nacional e os mais de 90 projectos em África e América Latina para a promoção da equidade de género e uma cultura de não-violência e paz.
No Quirguistão, onde mais de 75% dos casamentos resultam do sequestro da noiva, um programa conjunto do Crescente Vermelho do Quirguistão e a Cruz Vermelha Britânica trabalha na melhoria das condições económicas e sociais de mais de 50 mil mulheres vulneráveis, dando-lhes formações vocacionais e informando-as sobre os seus direitos, incluindo o acesso a serviços sociais e de saúde.
Na Áustria, a Cruz Vermelha está a coordenar dois projectos financiados pela União Europeia cujo objectivo é a prevenção da violência contra mulheres idosas em lares, através de actividades de sensibilização sobre este fenómeno no seio das famílias e o empoderamento dos profissionais de saúde e dos serviços sociais para detectarem atempadamente e preveniram.
A Estratégia 2020 promove uma cultura de não-violência e paz. As Sociedades Nacionais de todo o mundo advogam a favor de um maior entendimento e uma aplicação prática mais completa dos nossos Princípios Fundamentais, pela promoção da inclusão social, advogando pela adopção de abordagens de não-violência e dando assistência humanitária tendo em conta questões de género, idade e outras condições socioeconómicas. Os voluntários e pessoal Cruz Vermelha e Crescente Vermelho trabalham com os jovens nas escolas, com os pais, com as mães, filhos e amigos, com as comunidades em favor de uma mudança de mentalidade, conhecimento, atitude e comportamento. As acções das Sociedades Nacionais nas comunidades combinadas com uma diplomacia humanitária junto dos seus governos, responsáveis políticos como formadores de opiniões, é o caminho para a mudança, para promover ambientes que respeitem a dignidade e respeito humanos.
Hoje, no Dia Internacional da Mulher, vamos empreender esforços pessoais para solicitar uma diferença colectiva e com impacto activo no futuro.
Feliz Dia Internacional da Mulher!