Relatório Mundial sobre Desastres 2011: enfoque na fome e desnutrição
Quarta, 21 Setembro 2011 23:37
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Fim dos alimentos baratos? Mais vulneráveis em risco com o aumento vertiginoso dos preços dos alimentos.
As pessoas mais pobres a nível mundial estão em sério risco devido ao rápido aumento dos preços dos alimentos e pela volatilidade dos mercados, alerta um novo Relatório da Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (FICV).
Uma nova ronda de inflação dos alimentos e graves aumentos nos preços do cabaz básico, como o arroz, milho, trigo, azeite, açúcar e sal estão a mergulhar muitos dos mais pobres do mundo, incluindo milhões na região do Corno de África, numa pobreza ainda mais profunda e em situações de fome aguda e desnutrição. Este é uma das conclusões do Relatório Mundial sobre Desastres (RMD) de 2011 da FICV, lançado hoje em Nova Deli, na Índia. Os mais afectados são as pessoas pobres que gastam, em média, 50 a 80% dos seus rendimentos em comida.
“Os preços dos alimentos estão a atingir os níveis preocupantes da crise de 2008, com os mais pobres dos pobres a serem os mais prejudicados”, diz Bekele Geleta, Secretário-Geral da FICV. “É profundamente desconcertante vermos que estamos a retroceder em termos de assegurar que os alimentos básicos estão disponíveis e acessíveis”, acrescentou. O comércio especulativo de mercadorias, o rápido crescimento populacional, as alterações climáticas e um elevado decréscimo na produção agrícola doméstica, devido à falta de investimento apropriado e governação ineficiente, são apenas algumas das principais causas que alimentam esta nova ronda de inflação dos alimentos, conclui o RMD.
O recente rebentar da bolha imobiliária nos Estados Unidos levou a que os investidores globais procurassem novas oportunidades nos mercados de futuros dos alimentos.  “A economia global e a especulação comercial podem vir a ter um impacto perigoso nos preços dos alimentos”, diz Geleta acrescentando que os stocks de alimentos estavam a ser frequentemente comprados pelos comerciantes e armazenados em depósitos e armazéns à espera de lucros elevados. “É inaceitável que um comerciante em Londres ou Nova Iorque possa determinar se um pai num país como a Índia pode ou não alimentar a sua família”, disse.
De acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas do Quénia, o preço de um saco de 90 quilos de milho, a principal fonte alimentar da maioria dos quenianos, passou para cerca de 16 dólares americanos em Junho de 2010, para cerca de 144 dólares em Julho de 2011 – um aumento de 160%. Os preços do açúcar aumentaram 19.43% entre Junho 2011 e o mês passado.
É essencial que se invista mais na agricultura, mas o RMD questiona se este investimento deverá ter como objectivo ajudar pequenos comerciantes e pequenos agricultores ou encorajar a intensificação do capital e a agricultura de larga escala. Há cada vez mais um maior consenso em torno dos benefícios da agricultura em pequena escala como modelo de desenvolvimento em África.
“Os governos e os doadores deveriam investir mais em agricultura e dar uma ajuda aos agricultores”, disse Geleta, ele próprio nascido na Etiópia. “Não são apenas os alimentos que se estão a tornar caros, mas o preço das novas tecnologias, sementes, fertilizantes e petróleo necessário para o transporte dos alimentos também está a aumentar. Necessitamos impulsionar o sector agrícola como uma forma de proteger as pessoas que se encontram à mercê da inflação e dos stocks do mercado global.”
O Relatório Mundial sobre Desastres 2011 salienta os medos crescentes de que o aumento dos preços nos alimentos possa chegar a um ponto de inflexão violenta e tornar-se numa perigosa fonte de instabilidade em muitos países. As rebeliões no Médio Oriente e Norte de África foram alimentados, entre outros factores, pelo aumento do preço dos alimentos e pelo custo de vida em geral. Em Setembro de 2010, 13 pessoas foram mortas em “motins da fome” em Moçambique.
“Parece que a volatilidade global dos preços dos alimentos está para ficar e que a era da alimentação barata chegou ao fim”, diz Geleta, instando os governos e doadores a assegurarem que as pessoas mais vulneráveis estão melhor preparadas para lidar com os mercados agrícolas instáveis e com os preços voláteis dos alimentos.

Para mais informações, contactar o Departamento Internacional na Sede Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa.