Comité Internacional da Cruz Vermelha recebe prémio por contribuição às ciências forenses humanitárias
Sexta, 16 Setembro 2011 10:19

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) recebeu o Prémio Inaugural pelo desenvolvimento e promoção de ciências forenses humanitárias pela Associação Internacional de Ciências Forenses (IAFS).

O Prémio foi entregue na Cerimónia Inaugural do 19º Encontro da Associação Internacional de Ciências Forenses, a decorrer no Funchal, Madeira.

“A IAFS decidiu galardoar o CICV com este prémio especial de reconhecimento pela contribuição que a organização tem feito no desenvolvimento e promoção das ciências forenses no mundo”, disse o Prof. Duarte Nuno Viera, Presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e também Presidente da IAFS.

“Nos últimos anos, o CICV foi pioneiro naquilo a que se designa por "ciências forenses humanitárias" (humanitarian forensic sciences), ou seja, o uso de ciências forenses para ajudar a responder às necessidades das vítimas de conflitos armados e desastres naturais, e não apenas para os casos de investigação criminal e de justiça”, refere Morris Tidball-Binz, médico responsável pela equipa forense do CICV. “Receber a confirmação credível da morte de um familiar e saber que os restos mortais foram, ou podem ser, tratados com dignidade, contribui para a conclusão do processo de perda das famílias e de toda a comunidade.”

O CICV não faz exumações, mas dá linhas de orientação e apoia as equipas locais através de formação técnica. A unidade forense do CICV foi criada em 2003 e é composta por 12 membros.

O caso da Líbia

Uma vez que estão a ser descobertas com base semanal valas comuns de grandes dimensões, o CICV procura dar uma resposta às famílias devastadas por familiares que desapareceram e garantir que quaisquer restos mortais descobertos são tratados apropriadamente. Nas últimas semanas e meses, centenas de famílias reportaram desaparecimentos dos seus familiares na Líbia.

“Esta semana enviámos duas equipas de técnicos forenses para o terreno para apoiar os nossos colegas que já se encontram envolvidos na gestão dos restos mortais”, disse Carole Pitt, membro da equipa do CICV em Tripoli. “Os técnicos irão aconselhar igualmente o Crescente Vermelho Libanês, Concelhos Locais, Autoridades Sanitárias e Religiosas e outros parceiros.”

“O recentemente criado Conselho Nacional para os Desaparecidos solicitou-nos de imediato apoio técnico”, acrescentou. “Tem havido relatos de exumações improvisadas, que acarretam o risco dos restos mortais serem misturados. Desta forma pode-se perder informação importante e uma adequada identificação dos mortos.” É particularmente importante preservar qualquer prova de identificação disponível quando nenhum membro da família apareceu para reclamar ou identificar um conjunto de restos mortais.

O CICV ajudou a assegurar que os restos mortais de 125 pessoas encontradas em 12 locais dentro e fora de Tripoli foram adequadamente tratados. Também forneceu apoio na recuperação dos restos mortais de 34 pessoas em Al Qala’a, nas montanhas Nefusa.

O CICV não está envolvido na recolha de provas que possam vir a ser usadas em procedimentos legais.