Líbia: CICV envia equipa cirúrgica para Tripoli
Segunda, 29 Agosto 2011 16:31

Os confrontos entre rebeldes e forças fiéis ao regime de Mouammar Kadafi continuam a decorrer um pouco por toda a Líbia, com especial incidência na capital, Tripoli.

Há registo de vários feridos e mortos e os delegados do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) temem que o número vá aumentar.

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@CICV

Os hospitais lutam para lidar com o influxo de feridos e falta de acesso de pessoal médico aos seus locais de trabalho. O CICV enviou, por isso, uma equipa composta por um cirurgião, um anestesista e duas enfermeiras, e material médico e cirúrgico para colmatar esta dificuldade.

Até à data, o CICV e o Crescente Vermelho Líbio distribuíram suficiente material médico para tratar pelo menos 500 pessoas nos três principais hospitais da capital e em inúmeras clínicas privadas, assim como fez chegar mais de 40 mil doses de vacinas contra o sarampo a diversos pontos do país, com especial enfoque para as crianças. Devido ao conflito, a disponibilidade de água e comida é monitorizada pelas equipas no terreno, a fim de garantir que as necessidades básicas dos deslocados e afectados pelos conflitos sejam supridas. O CICV distribuiu, também, cabos eléctricos para reparações urgentes de falta de electricidade em Al Kufra, no sul da Líbia e uma bomba de água foi reactivada em Al Beydan, para fornecer água a mais de 250 famílias.

Está a ser dada uma especial atenção aos deslocados e detidos. Foram distribuídos 3.000 kits de higiene e 18 mil latas de comida a famílias que regressaram às suas casas, para facilitar o processo de instalação, ou a famílias que, devido aos fortes níveis de insegurança, estão retidas nas suas próprias casas.

Apesar das dificuldades de acesso, o CICV tem conseguido visitar alguns detidos e deu-lhes a oportunidade de trocar correspondência com as suas famílias (incluindo estrangeiros), necessitando, no entanto, de ter maior acesso a muitos mais. Actualmente, muitas pessoas encontram-se detidas por comandantes locais e é necessário que estas sejam levadas para instalações próprias para detidos, para que sejam tratados correctamente.

O CICV e o seu pessoal (com mais de 60 membros, 20 dos quais expatriados) são cada vez mais reconhecidos pelos membros dos postos de controlo como pessoal de uma organização intermediária neutral e permitem-lhes aceder às zonas de conflito. Exemplo disso mesmo foi a evacuação dos 33 jornalistas e outros 2 estrangeiros que se encontravam retidos no Hotel Rixos, a 24 de Agosto. O CICV conseguiu levá-los para uma localização segura.

Neste momento, a principal preocupação para o CICV é a falta de acesso do pessoal médico ao seu local de trabalho e que os hospitais deixem de funcionar por falta de recursos materiais e humanos.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho relembra a todas as partes do conflito a sua obrigação, sob o Direito Internacional Humanitário, de proteger os civis, pessoal de saúde e infra-estruturas e todas as pessoas que se encontram doentes, feridas, ou detidas.