Actualização das operações na Crise no Corno de África - 16/08

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Enfoque ETIÓPIA

As pessoas afectadas pela seca ficaram sem recursos para reagir e para além disso a escassez de alimentos faz com que os preços aumentem. Assim, a dificuldade para conseguir alimentos e água potável é ainda maior. É preocupante a desnutrição de que sofre o grande número de deslocados. Acrescenta-se a esse facto o receio pelo período de chuvas que costuma ocorrer entre Junho e Outubro nas diferentes regiões, podendo vir a ter consequências ainda mais negativas entre os afectados, já que o risco de contrair doenças aumenta significativamente. As principais necessidades das populações passam pela água e saneamento, saúde, alimentos, nutrição e abrigo.

A Cruz Vermelha Etíope, fundada em 1935, é a maior organização humanitária do país, com presença em todas as regiões, um milhão de sócios e mais de 75 mil voluntários. A sua intervenção centra-se nos serviços de ambulância, banco de sangue, programa de distribuição de medicamentos essenciais, preparação para desastres, programas de promoção e controlo do HIV/SIDA, actividades de água e saneamento nas comunidades mais vulneráveis, actividades de saúde comunitária e desenvolvimento institucional e promoção de receitas.

A CV Etíope é também uma organização de referência em projectos de segurança alimentar. Nos últimos anos, construiu mais de 1300 quilómetros de muros de pedra, 160 mil pequenas valas para recolha de água da chuva, 98 fontes de água e plantou mais de 2 milhões de árvores em encostas para combater a desertificação e melhorar a biosfera. A situação em que o país se encontra, concretamente nas regiões do Sul de Oromiya e Somali são fruto de, entre outros factores, do aumento do preço dos cereais desde 2006, influenciando a degradação progressiva da saúde tanto humana como animal, colocando em risco a integridade física das pessoas e a disponibilidade dos seus meios de subsistência, fundamentalmente na população dedicada exclusivamente à criação de gado.

A região de Oromiya está dividida em 18 zonas administrativas, uma das quais é Guji. Esta zona tem 13 distritos dos quais 7 dedicam-se a actividades pecuárias e 6 a agricultura e criação de gado. A população total da zona ascende a 1.461.645 pessoas. Após uma missão de identificação constatou-se que Woreda Sababoru é que se encontra numa situação de especial vulnerabilidade. A dificuldade de acesso e a falta de presença de actores humanitários acentuam a sua precária situação.

Por outro lado, mais de 112 mil refugiados procedentes da Somália estão actualmente assentados na zona de Dolo Ado, na região de Somali, segundo as últimas informações facilitadas por OCHA. Após a saturação dos 3 campos existentes, Bokolomanyo, Melkadia e Kobe, está-se a finalizar a abertura de um novo campo, em Hilowen.

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na Etiópia

  • Esperança de vida (anos): 56.1
  • Média de anos de anos de participação escolar: 1.5
  • Produto Interno Bruto (per cap): LN 6.9
  • Ranking IDH: 157

As prioridades para os refugiados são ao nível de nutrição e saúde, água e saneamento e abrigo. Os campos estão sob a autoridade da Ethiopian Administration for Refugee and Returnee Affairs (ARRA) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR); o Programa Alimentar Mundial é responsável pelo aprovisionamento de comida em todos os acampamentos, e Save the Children está-se a centrar no suplemento alimentar para crianças com menos de 5 anos.

Estabeleceram-se a dois níveis as seguintes necessidades: por um lado, distribuição de bens relacionados com a cobertura mais imediata, urgente e necessária para a provisão das necessidades básicas de primeira ordem da população refugiada e, por outro, a provisão de ajudas centradas na inversão dos bens e provisões necessários que permitam à população afectada continuar a realizar as actividades geradoras de receita que desempenhavam antes da crise.

Actividades previstas pela Cruz Vermelha

  • Aquisição e distribuição dos materiais básicos não alimentares (mosquiteiras, pastilhas para limpeza de água, kits de higiene, toldos de plástico, etc.) para a população afectada pela seca na Etiópia;
  • Aquisição e distribuição de produtos alimentares para a população afectada pela seca na Etiópia;
  • Apoio na reabilitação de pontos de água na região de Woreda de Sababoru, na Etiópia;
  • Apoio à organização logística: transporte, distribuição e controlo.

A Cruz Vermelha dará especial atenção aos grupos considerados de risco: mulheres chefes de família com crianças, pessoas com deficiências e idosos. As contínuas avaliações da situação das pessoas afectadas darão os resultados da população mais vulnerável que será incluída como beneficiária na acção de resposta. A metodologia utilizada para o registo de beneficiários será feita utilizando as ferramentas internacionalmente aceites.

A nível de segurança, a região de Oromiya não se encontra em risco. A região de Somali acolhe um conflito armado há muitos anos e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) não está presente na zona há já alguns anos pelo que, em princípio, irão seguir-se as directrizes de segurança do ACNUR, a agência das Nações Unidas que lidera a operação. Não se descarta a possibilidade de vir a existirem complicações nesta matéria na zona, pelo que se acompanhará a situação para actuar caso a situação se deteriore.

A futura intervenção da CVP dependerá dos fundos que puder vir a angariar. Para obter informações sobre como efectuar um donativo para a “Crise no Corno de África”, clique aqui.

Para mais informações operacionais, contactar o Departamento Internacional da Cruz Vermelha Portuguesa ( Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar )


Fontes

Actualizado em Quarta, 17 Agosto 2011 15:48