Corno de África: seca e insegurança alimentar
Segunda, 01 Agosto 2011 16:24

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@FICV

A situação de seca que se está a viver no Corno de África (Somália, Etiópia e Quénia) é severa e são necessárias intervenções humanitárias urgentes. Os elevados níveis de vulnerabilidade devem-se a vários factores como a pobreza crónica, as alterações nos meios de subsistência, o aumento da população e o conflito interno, levando milhões de pessoas a ficarem ainda mais susceptíveis a este longo período de seca.

A Cruz Vermelha encontra-se a preparar uma resposta de emergência para esta região, já estando, no entanto, a ajudar activamente as comunidades a enfrentarem as suas dificuldades ao longo de meses, mesmo antes de a crise ter começado. Estima-se que as áreas afectadas pela seca irão continuar a crescer nas próximas décadas e que as secas terão uma maior duração. Por isso, o objectivo da Cruz Vermelha é não apenas ir ao encontro das necessidades urgentes das comunidades afectadas pela situação actual, mas continuar a ajudar na adaptação e sobrevivência em zonas áridas nos próximos anos. A Cruz Vermelha está a trabalhar no Corno de África a fim de desenvolver a resiliência comunitária, de maneira a mitigar os efeitos de futuras crises, através do método de resposta “alerta precoce, acção rápida.”

Veja abaixo vídeo legendado sobre a situação.

Ao reconhecer que as secas são cíclicas e que as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho locais têm um compromisso diário com as comunidades afectadas, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) procurará apoiar as intervenções que têm em vista fortalecer as capacidades e o papel a longo prazo das Sociedades Nacionais locais na região. A FICV não irá lançar um apelo para a região, mas para cada país. Esta decisão prende-se com o facto de se esperar que assim se fomente uma intervenção personalizada e coerente entre a fase de emergência e as intervenções locais a longo prazo. Cada Cruz Vermelha e Crescente Vermelho tem como objectivo ajudar as suas populações locais e migrantes rurais, uma vez que reconhece que há outras organizações a prepararem-se para responder às necessidades da população refugiada. As operações procurarão cobrir activamente as áreas não abrangidas por outras agências, como seja o programa de alimentação escolar, que permite às crianças manterem-se na escola durante a crise ou os cuidados de saúde (materno e pediátrico) em parceria com os Ministérios da Saúde.

O programa de emergência delineado pela Cruz Vermelha é essencial, mas é apenas um dos elementos da estratégia da Cruz Vermelha para a região. É preciso ter em conta a perspectiva a longo prazo que se pretende alcançar e o facto desta operação de emergência se encontrar englobada nestas soluções de longo prazo, por exemplo, além da distribuição de água potável, também é preciso limpar poços e furos de água e/ou distribuir ferramentas e sementes para apoiar as comunidades.

O principal objectivo desta operação é apoiar as pessoas para que fiquem nas suas áreas de residência – a migração e concentração à volta dos centros/campos de distribuição pode agravar a já por si tensa situação em que se encontram. Assim sendo, a Cruz Vermelha procura ajudar as pessoas e famílias a criar as suas estratégias para enfrentarem esta fase de emergência aguda e as dificuldades a longo prazo.

Assim, a FICV reviu o seu apelo internacional para o Quénia procurando angariar 12,7 milhões de Euros para assistir 1 milhão de pessoas ao longo de 12 meses e prepara-se para lançar nos próximos dias o Apelo de Emergência para a Etiópia. Relativamente à Somália, o Crescente Vermelho Somali encontra-se a fazer um novo levantamento para definir as ferramentas que necessita para fazer frente a esta crise.

Para efectuar um donativo através do Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa, clique aqui.