Paquistão: um ano depois
Quinta, 28 Julho 2011 08:19

PAQUISTÃO: UM ANO DEPOIS DAS CHEIAS

PONTO DE SITUAÇÃO

Há um ano atrás, o Paquistão sofreu uma das maiores catástrofes naturais da sua história, ao ter uma época de chuvas que levou a cheias que desolaram um quinto do país, sobretudo as províncias de Sindh, do Punjab e Khyber Pakhtunkhwa (KPK).

A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) contribuiu com 25 mil euros para o apelo de emergência lançado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que pretende ajudar 130 mil famílias (910 mil pessoas), ao longo de dois anos.

Assinalamos esta data com uma actualização das informações sobre as operações que estão a decorrer no terreno.

Dos 20 milhões de pessoas afectadas pelas cheias de 2010, há 12 milhões de pessoas que ainda se encontram sem qualquer forma sustentável de meios de subsistência. As pessoas regressaram às suas aldeias onde as casas se encontram em ruínas, os terrenos agrícolas destruídos e as escolas em escombros, para além de que são estas pessoas que se encontram mais vulneráveis às variações de preço dos alimentos e às inundações esperadas este Verão.

A fome e a malnutrição são ameaças reais. Milhões de pessoas, particularmente crianças e mulheres, estão em risco. A escala do problema está a aumentar devido à pobreza extrema, uma dieta e saúde deficientes, exposição a doenças e um saneamento e higiene desadequados. Os dados revelados no início do ano pelo Departamento de Saúde de Sindh indicam uma crise nutricional na província, registando-se uma taxa global aguda de malnutrição de 22,1% em crianças com menos de cinco anos. Esta percentagem está muito acima da fasquia de emergência de 15 % estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que origina uma resposta humanitária.

Os aldeões, embora agradeçam os kits alimentares, dizem que o que eles realmente precisam é de gerar os seus próprios rendimentos. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho está atento a este facto. Foram aprovados planos de pequenos negócios e os aldeões receberam quantias de dinheiro para começarem negócios em agricultura, artesanato, vestuário, transporte e pequenas lojas alimentares. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho chegou também a mais de 617 mil pessoas através da distribuição de sementes, fertilizantes e formação técnica. Mais de 170 mil pessoas em 39 aldeias estão a ser apoiadas através do estabelecimento de comités locais. Esses comités irão fortalecer as capacidades das pessoas em avaliar riscos, ligando-os oficialmente aos sistemas de alerta precoce dos governos locais, ajudando-os a desenvolver planos de preparação das aldeias. Assim, estes planos ajudarão as pessoas a tornarem-se auto-suficientes e permitindo-se assim que tenham ferramentas de resposta quando ocorrer o próximo desastre.