Paquistão: 6 meses depois das inundações, milhões de vítimas ainda sem telhado
Sexta, 21 Janeiro 2011 14:43

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Fotografias: Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Seis meses após as inundações que devastaram o Paquistão, mais de 4 milhões de vítimas estão ainda numa situação crítica em termos de alojamento. Na província meridional de Sindh, milhares de hectares de terra ainda permanecem submersas. Agora, uma segunda movimentação massiva de pessoas está a ter lugar entre as famílias que deixaram os acampamentos e abrigos temporários para regressrem e encontrarem as suas casas destruídas e inabitáveis.

“Esta catástrofe é particularmente cruel”, comenta Gocha Guchashvili, coordenador da operação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Paquistão. “Milhões de pessoas ficaram privadas dos seus lares pelas inundações e sujeitas a condições miseráveis durante meses, vivendo sob abrigos precários de tendas ou simples lonas. As suas casas, os seus campos e os seuz meios de subsistência foram arruinados.”

As inundações destruíram 1.7 milhões de casas, danificaram 2.2 milhões de hectares de terra arável e privaram milhares de comunidades rurais da sua fonte de alimento e recursos. Nas diferentes províncias afectadas, estima-se que mais de 70.000 crianças sofram de diferentes níveis de mal nutrição e que inúmeras aldeias do sul estejam ainda inundadas por águas estagnadas que oferecem um terreno propício às doenças infecciosas.

No Norte, as famílias afectadas acampam entre os escombros das suas casas enfrentando temperaturas inferiores a zero e numerosas estradas estão ainda cortadas, o que obriga os aldeões a percorrerem longas distâncias a pé para solicitar ajuda.

“Estamos a distribuir kits de abrigo especiais para garantir uma boa protecção contra o rigor do Inverno a 70.000 pessoas da região”, diz Andrea Lorenzetti, responsável pelo abrigo na FICV. “Em muitos casos, ficamos bloqueados antes de alcançar o nosso destino por causa do mau estado das estradas, e os beneficiários são obrigados a transportar o material às costas durante longas horas através das montanhas.”

Enquanto assegura ajudas de emergência a mais de 2 milhões de pessoas, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho prestam às vítimas que regressam a casa uma ajuda inicial na recuperação através da distribuição de sementes, utensílios agrícolas, materiais para abrigo e também de cuidados de saúde. No entanto, a dimensão da devastação e das necessidades é tão grande que é indispensável uma resposta massiva da comunidade internacional.

“Os olhares do mundo dirigem-se agora para outros horizontes, mas as vítimas das inundações continuam extremamente carenciadas. A situação é preocupante sob o ponto de vista da segurança alimentar e o apoio da comunidade internacional é vital. Sem este, os sobreviventes desta tragédia mergulharão ainda mais na pobreza”, afirma Gocha Guchashvili.

O apelo da FICV, de um montante de 130 milhões de francos suíços (cerca de 101 milhões de euros), está actualmente coberto em 59%. O seu financiamento integral irá permitir à organização assegurar a 130.000 famílias uma ajuda na recuperação durante um período de dois anos. 


Os donativos para este apelo poderão ser efectuados através do Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa. Para saber como efectuar um donativo para este fundo, clique aqui.

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