Haiti - Federação informa sobre os progressos no primeiro ano após terramoto
Terça, 11 Janeiro 2011 13:42

Apesar da extraordinária complexidade que envolve a reconstrução do Haiti, realizaram-se importantes progressos durante os primeiros 12 meses de intervenção após o devastador terramoto de Janeiro de 2010. O objectivo de reconstruir as cidades destruídas pelo terramoto, ajudar as famílias a refazerem as suas vidas e apoiar as instituições públicas no seu restabelecimento deverá continuar pelos próximos anos.

Segundo um relatório publicado no passado dia 6, a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho – Cruz Vermelha Haitiana, Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e as 124 Sociedades Nacionais envolvidas na resposta ao terramoto – proporcionou :

  • Material de refúgio de emergência, como lonas impermeáveis, tendas de campanha, madeira, ferramentas e cordas, a mais de 172.000 famílias;
  • Outro tipo de artigos de socorro, como kits de cozinha, kits de higiene, cobertores e bidões, a cerca de 160.000 famílias;
  • Ajuda alimentar durante as primeiras semanas da intervenção a mais de 195.000 famílias;
  • Tratamento médico em centros de saúde de emergência a quase 216.000 pessoas, e serviços de saúde comunitários a outras 288.000 pessoas;
  • Acesso permanente a água potável a uma média de 317.000 pessoas por dia e instalações de saneamento melhoradas, como latrinas, a 265.000 pessoas;
  • Algum tipo de ajuda financeira, como empréstimos ou subsídios de apoio aos meios de subsistência, a quase 49.000 famílias, e acesso a oportunidades de emprego a curto prazo a 45.000 pessoas;
  • Mensagens de texto SMS com informação essencial sobre saúde, preparação para desastres e cólera a mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o  Haiti. A bem sucedida divulgação de informação é o resultado de um programa informático de envio de mensagens de texto, o primeiro deste tipo, desenvolvido pela Cruz Vermelha em colaboração com a Voilà, uma empresa líder de telecomunicações móveis no Haiti, e a sua empresa parceira Trilogy International Partners.

Até finais de Setembro, a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho gastou 273,1 milhões de francos suíços (cerca de 217,6 milhões de euros), cerca de uma quarta parte dos 1.118 milhões de francos suíços (cerca de 891,5 milhões de euros) doados.

O relatório reflecte também sobre algumas dificuldades importantes encontradas no trabalho de recuperação. Por exemplo, apesar do enorme esforço realizado pela comunidade humanitária no seu conjunto, um milhão de pessoas ainda vive em acampamentos:

“O problema primordial (no que respeita ao abrigo temporário e de longo prazo) é o acesso aos terrenos. Com frequência este está bloqueado por um complexo e informal sistema de propriedade que impede clarificar a quem pertence realmente o título de propriedade de uma terra.”

“O terramoto não originou problemas relativos à propriedade de uma terra, mas veio certamente exacerbá-los. Isto resultou em graves consequências para os planos de construção de refúgios.”

A pesar das dificuldades, está-se a avançar no objectivo de encontrar soluções de alojamento a longo prazo e mais seguras para a população deslocada. Segundo o grupo temático sobre refúgio do Comité Permanente entre Organismos/Nações Unidas, à data de 16 de Dezembro, os organismos de ajuda tinham construído em todo o Haiti 31.656 refúgios de transição. Até finais de Novembro, a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho proporciou refúgios melhorados e seguros a 3.120 famílias.

Quanto ao futuro, o relatório enfatiza a importância de apoiar a reconstrução das autoridades e instituições haitianas. Neste contexto, a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho comprometeu-se a construir, reabilitar ou reforçar 25 escolas e 22 centros de saúde.

Resposta da Cruz Vermelha Portuguesa

No dia seguinte ao terramoto no Haiti e em resposta ao apelo de emergência da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho para apoiar as vítimas desta catástrofe, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) lançou uma forte campanha de angariação de donativos para o seu Fundo de Emergência. A resposta e a generosidade dos portugueses foram extraordinárias.

Na fase de emergência, a CVP contribuiu com 500.000 euros para o apelo internacional a fim de ajudar as primeiras acções no terreno. Ao fazê-lo, a resposta dada foi rápida e efectiva, apoiando a Cruz Vermelha Haitiana a assistir 20.000 famílias (aproximadamente 100.000 beneficiários) durante 9 meses.

Passada a fase de emergência e já na fase de recuperação da catástrofe, a CVP iniciou um projecto de abrigos temporários em cooperação com a Cruz Vermelha Suíça. Este projecto consiste na construção de 600 habitações de uma aldeia numa zona montanhosa, Palmiste-à-Vin, perto de Leogane, a cerca de 80 km de Port-au-Prince.

As habitações são estruturas pré-fabricadas importadas do Vietname, que se compõem numa divisão única com três janelas e uma porta em alumínio, (respeitando "a tradição da região). São resistentes em situações de tremores de terra e tufões.

As primeiras habitações foram entregues nos últimos dias de Setembro de 2010 durante a deslocação ao país de uma delegação para acompanhar o processo, na qual participaram Carlos Pimenta Araújo, Responsável pelo Departamento Internacional e Assessor do Presidente Nacional, e Rogério Costa Pereira, Coordenador da Área de Emergência, da Cruz Vermelha Portuguesa.

O valor total do projecto de reconstrução em curso ronda os 2,9 milhões de euros e será comparticipado também pela Cruz Vermelha Belga. A Cruz Vermelha Portuguesa participa com 300.000 euros.


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